No antro escuro de volúpias densas,
Onde a matéria em fúria se derrama,
Vem a Visão que quebra as leis suspensas
E no imo d’alma uma quietude inflama.
Um jovem loiro, de alvura bizantina,
Santuário de marfim, lírio de espanto,
Cercado pela turba andrógina, divina,
De deusas trans de soberano encanto.
No rito rude do bukkake insano,
Onde o sêmen é onda purpurina,
A fúria explode do desejo humano,
Mas nele pousa uma quietude fina.
Cai sobre o efebo a via-láctea esparsa,
O fluido sacro que o contorno inunda...
E o que no mundo pareceria farsa
Gera uma paz idílica, profunda.
Ó mistério das formas saturadas!
Olhando o gozo que esses corpos tecem,
As minhas dores são pacificadas,
E os meus infernos mudamente calam... e adormecem.
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