segunda-feira, 18 de maio de 2026

As Mãos do Pintor Cubista



Não mais a linha fluida, a curva blanda,

Que a natureza espalha no horizonte;

Nem o contorno ideal que a musa manda,

Na transparência límpida da fonte.


Essas mãos, que o cinzel do gênio guia,

Buscam a força na rudeza esquiva:

Trassam o espaço em rude geometria,

Partem o mundo na matéria viva!


Olham o objeto por mil lados feitos,

Prendem o tempo em planos desiguais,

E em ângulos violentos, imperfeitos,

Criam verdades muito mais reais.


Mãos de artífice audaz, que em traço duro,

Rompendo os moldes do passado antigo,

Gravem na tela a forma do futuro!

Nenhum comentário:

Postar um comentário