Olho o labirinto de carne exposta,
Livre do pelo e da floresta escura,
Onde a lâmina vil fez a moldura
Da fresta mais carnal e mais augusta.
O espelho dessa vulva desnudada,
Que a meretriz entrega ao mundo imundo,
É o portal mais úmido e profundo
Por onde entra a matéria escravizada.
Não há mistério que o pudor encubra:
À vista da pupila que descortina,
Geme o desejo na planície rubra...
E o homem, que da morte é a triste queixa,
Encontra nessa fenda purpurina
O único lodo que o universo deixa.
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