terça-feira, 19 de maio de 2026

A Fresta do Infinito



Olho o labirinto de carne exposta,

Livre do pelo e da floresta escura,

Onde a lâmina vil fez a moldura

Da fresta mais carnal e mais augusta.


O espelho dessa vulva desnudada,

Que a meretriz entrega ao mundo imundo,

É o portal mais úmido e profundo

Por onde entra a matéria escravizada.


Não há mistério que o pudor encubra:

À vista da pupila que descortina,

Geme o desejo na planície rubra...


E o homem, que da morte é a triste queixa,

Encontra nessa fenda purpurina

O único lodo que o universo deixa.

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