Para além da matéria que apodrece,
Neste lodo de angústias e de escarros,
Onde a carne na terra fenecesse
E os homens são apenas tristes barros,
Surge um grito de luz na noite escura!
É o Cisne Negro, a estrofálica lenda,
Que transmuta a miséria e a tortura
Numa lívida e mística moenda.
Cruz e Sousa! No espasmo do tormento,
Teu verso — quimicamente depurado —
Vence o verme, o escaravelho e o vento!
Sublimas o sofrimento humano e a lama,
E a dor, que em nossa boca é fel vazado,
Na tua flama, transubstanciada, brama!
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