Nas dobras da noite, onde o mistério se adensa,
Sasha surgiu, flor ambígua de veludo e sombra,
corpo de mulher que a lua mesma inveja e pensa,
silêncio de seios e um segredo que não se nombra.
Ele a buscava como quem busca a estrela ignota,
beijava-lhe a boca de mel e de veneno,
descia pelo ventre num ritual sem nota,
até tocar o cetro oculto, erguido e sereno.
Ó surpresa de carne! Ó revelação divina!
Em vez de horror, um clarão de júbilo acendeu:
o homem sorriu, como quem encontra a sina
que sempre sonhara e jamais compreendera.
Ajoelhou-se então, devoto do mistério profundo,
e tomou nos lábios o grelo secreto e real,
chupando com fome sagrada, sem mundo,
o pau latejante, coluna de gozo astral.
Sasha arqueou-se, deusa entre trevas e luz,
e explodiu em jorros imensos, brancos, infinitos,
litros de porra pura, luar denso e transluz,
inundando a boca que se abriu em delírio bendito.
Ele engoliu tudo, sedento e feliz, sem medo,
bebendo o leite astral da travesti encantada,
e, com os lábios ainda brilhantes de segredo,
beijou-a na boca, unindo as almas na madrugada.
Ó Sasha, ó segredo que se fez revelação,
no beijo branco e quente do vício e da paixão!
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