Arnaldo risca a palavra até que a palavra falte. Ele não quer o enfeite, o esmalte, ele quer a casca que lavra o nada.
Poeta que morde o vento, que desconstrói o edifício, faz do silêncio seu ofício e do vazio, o alimento da fala.
O mundo, esse ruído imenso, em suas mãos vira gagueira, letra solta, poeira, onde o pensamento denso se esvazia.
Ele olha o vão entre as coisas, o espaço que a forma esquece. Sua poesia é uma prece ao reverso das lousas, ao dia
em que o sentido desmorona e a gente, enfim, compreende: o vazio não se depreende, é o silêncio que coroa Arnaldo.
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