segunda-feira, 18 de maio de 2026

Visão Sacra do Lupanar

Entro na névoa de um sinistro abrigo,

No lupanar de carnais esplendores,

Onde o Desejo, esse fantasma antigo,

Acende a febre de cruéis ardores.


Busco o alívio da matéria imunda,

O espasmo vil que esta carne reclama...

Mas eis que surge, na noite profunda,

Uma visão que a minh'alma inflama!


Uma jovem, de formas purpurinas,

Numa nudez de olímpica realeza,

Dada ao delírio de duas divinas,

Sagradas formas de sutil beleza:


Corpos mutantes, de andrógena graça,

Travestis anjos em gozo profundo!

E aquela carne que se entrega e enlaça,

Vence a miséria deste lodo mundo.


Não era o vício em sua fúria insana,

Nem o pecado que o inferno condena:

Era a volúpia transmutada, arcana,

Numa liturgia mística e serena.


Ó possessão de esplendores divinos!

Naquele leito de luxúria e espanto,

Unem-se os sexos, os fluidos, os hinos...

E o Lupanar se santifica em Canto!

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