segunda-feira, 18 de maio de 2026

A Boneca (Trans)

 A Boneca (Trans)


Na esquina esquecida onde a noite se condensa,
surge a Boneca, espectro de carne e mistério,
nua, marmórea, sob o luar que a incensa,
travesti de sombras, rainha do delírio.

Seus seios altos palpitam na penumbra fria,
e a mão delicada, longa, de unhas vermelhas,
desliza pelo cetro que se ergue em agonia,
varão soberbo, latejante entre as estrelas.

Ela se punheta devagar, como quem reza
um ritual antigo de prazer e dor,
olhos semicerrados na volúpia acesa,

até que o corpo arqueia num espasmo de flor:
litros de porra branca jorram na calçada,
leite astral, luar grosso que inunda a madrugada.

Ó Boneca sagrada do vício e da beleza,
teu gozo ilumina a lama e a tristeza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário