No Oculto Banheiro
No oculto banheiro de azulejos frios,
onde a luz baça morre em vapor denso,
dois vultos se encontram, espectros sombrios,
unindo na sombra o desejo imenso.
Mãos negras de luxúria buscam a carne,
bocas que ardem em beijos de fogo e fel,
e o pau erguido, cetro de dor e carne,
penetra o abismo que se abre, cruel.
Gemidos abafados sobem como incenso
no templo secreto do vício profundo;
corpos suados, presos num ritmo intenso,
até que a noite explode em jorro mundo:
litros de porra branca, luar que desce,
inundando a lama com neve celeste.
Ó sêmen puro, leite astral e frio,
que banha o pecado e o torna divino.
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