terça-feira, 19 de maio de 2026

Nas vielas da carne inconsolável

 Nas vielas da carne inconsolável,

Onde a libido espuma e se contorce,

Meu ser — neurônio enfermo — desconforte

Na busca do prazer inominável.


Desejo o abismo cálido, insondável,

A carne ambígua que seduz e torce;

E o sangue, como um rio que me absorve,

Ferve num delírio lamentável.


Ó corpos da penumbra e da sarjeta,

Mistura de perfume e podridão,

Arquitetura estranha e predileta!


Em cada beijo há morte e combustão;

E o gozo, essa bactéria incompleta,

Devora o coração da solidão.

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