Nas vielas da carne inconsolável,
Onde a libido espuma e se contorce,
Meu ser — neurônio enfermo — desconforte
Na busca do prazer inominável.
Desejo o abismo cálido, insondável,
A carne ambígua que seduz e torce;
E o sangue, como um rio que me absorve,
Ferve num delírio lamentável.
Ó corpos da penumbra e da sarjeta,
Mistura de perfume e podridão,
Arquitetura estranha e predileta!
Em cada beijo há morte e combustão;
E o gozo, essa bactéria incompleta,
Devora o coração da solidão.
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