Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Augusto dos Anjos
Pousam as aves de sinistro porte,
Após o banquete da carniça imunda,
Onde sorveram o licor da morte
Na carne morta, podre e decolunda.
Saciados do espólio do cadáver frio,
Que apodrecia no lodaçal do mundo,
Os dois urubus, num espasmo sombrio,
Entregam-se ao gozo, místico e profundo.
As asas negras vibram no abandono,
Garras que rasgam a atmosfera escura,
Unindo a vida ao derradeiro sono,
Na mais bizarra e fúnebre ventura...
E ali, na lama, onde a matéria fenece,
A própria Morte em Vida transmutou-se... e amanhece.
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