A Lua Cheia e Nada Mais
Ó lua cheia que no céu se derrama, Cheia, redonda, branca de desejo, Assim eu quero ver minha alma em chama Vertendo em golfadas todo o meu segredo.
Litros de gozo, espesso e quente rio, Como luar que transborda da montanha, Quero verter na boca de um delírio, De uma mulher safada que se banha
No vício sem pudor, de língua ávida e quente, Que abre os lábios como quem pede mais, E engole a enchente sem temor oumente,
Lambendo ainda o resto que restar. Que ela se afogue em mim, lua de carne, E nada mais — só gozo, só luar que arde.
Assim, na noite funda do pecado, Eu me farei lua cheia em seu gargalo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário