terça-feira, 19 de maio de 2026

O Sacramento da Noite


Sob a vertigem líquida da chuva,

Na esquina escura onde o asfalto sangra,

A boca humana, em paroxismo, gangra

E o desejo sem peias desmuda.


Sorvo o membro da ninfa hipertrofiada,

Deusa de espasmo e de matéria estranha,

Que a noite gélida e chuvosa banha,

Na solidão da rua abandonada.


O sêmen morno que a uretra verte,

No lodo urbano que a ilusão perverte,

É o sumo bruto de um clarão maldito...


E entre o escarro da chuva e o frio tétrico,

A carne atinge o seu limite métrico,

Chupando a vida frente ao Infinito!

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