Claras carnes de luz, em espasmo e agonia,
Chocam-se contra as trevas do infinito,
Num duelo mudo, num supremo grito,
Onde a Alva Noiva a Noite escura espia.
Vagas formas de neve e de heresia
Batem no peito do ébano maldito,
E nesse abraço trágico, inaudito,
Gira o cosmo em perpétua liturgia.
Ó mistério das formas que se enlaçam!
Luzes brancas e sombras que trespassam
O âmago dorido do universo místico...
Na carne cega a essência se condensa:
A matéria mais alva, em febre imensa,
Ama o negror do abismo metafísico.
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