sábado, 16 de maio de 2026

A Matéria Branca contra a Negra se Ama


Claras carnes de luz, em espasmo e agonia,

Chocam-se contra as trevas do infinito,

Num duelo mudo, num supremo grito,

Onde a Alva Noiva a Noite escura espia.


Vagas formas de neve e de heresia

Batem no peito do ébano maldito,

E nesse abraço trágico, inaudito,

Gira o cosmo em perpétua liturgia.


Ó mistério das formas que se enlaçam!

Luzes brancas e sombras que trespassam

O âmago dorido do universo místico...


Na carne cega a essência se condensa:

A matéria mais alva, em febre imensa,

Ama o negror do abismo metafísico.

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