No curral espectral da madrugada,
Onde a geada as tábuas apodrecia,
Uma mulher neurótica e sombria
Fitava a besta negra ensanguentada.
Havia nos seus olhos a fissura
Dos seres consumidos pela tara;
E a noite, em sua umidade funerária,
Cheirava a estrume, sêmen e loucura.
O corcel relinchava. Em cada nervo
Passava a força bruta da matéria,
Como um deus bacteriano e perverso.
E ela, febril, convulsa e deletéria,
Queria sorver do animal protervo
A alva seiva da miséria etérea.
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