A chuva cai como lágrimas prateadas,
Manchando o asfalto, alma da cidade.
Eu ando só, com a cabeça curvada,
Um jovem que busca, sem saber, o que a vida me traz de novidade.
A cada pingo, uma memória que se desfaz,
Um sonho que se perde no turbilhão da rua.
O cheiro de terra molhada me atrai,
Uma melancolia doce que a alma me desnuda.
As luzes dos prédios se dissolvem na névoa,
Espectros de um mundo que me parece distante.
O frio me envolve, como um abraço de seda,
Mas o coração está quente, como um sol que renasce a cada instante.
Eu olho para as poças, que refletem o céu,
E vejo meu próprio rosto, um estranho que me encara.
Um jovem que vaga, sem saber para onde,
Mas que sabe que a vida é uma aventura, que a chuva me convida a abraçar.
E quando a chuva cessar, e o sol reinar de novo,
Eu serei um homem mais forte, mais maduro e mais livre.
Pois cada gota de chuva que caiu sobre mim,
Foi um passo que eu dei em direção ao meu próprio eu, que me espera.
Nenhum comentário:
Postar um comentário