terça-feira, 19 de maio de 2026

A Chuva Me Abraça Como uma Amante Infiel


A chuva cai como lágrimas prateadas,

Manchando o asfalto, alma da cidade.

Eu ando só, com a cabeça curvada,

Um jovem que busca, sem saber, o que a vida me traz de novidade.


A cada pingo, uma memória que se desfaz,

Um sonho que se perde no turbilhão da rua.

O cheiro de terra molhada me atrai,

Uma melancolia doce que a alma me desnuda.


As luzes dos prédios se dissolvem na névoa,

Espectros de um mundo que me parece distante.

O frio me envolve, como um abraço de seda,

Mas o coração está quente, como um sol que renasce a cada instante.


Eu olho para as poças, que refletem o céu,

E vejo meu próprio rosto, um estranho que me encara.

Um jovem que vaga, sem saber para onde,

Mas que sabe que a vida é uma aventura, que a chuva me convida a abraçar.


E quando a chuva cessar, e o sol reinar de novo,

Eu serei um homem mais forte, mais maduro e mais livre.

Pois cada gota de chuva que caiu sobre mim,

Foi um passo que eu dei em direção ao meu próprio eu, que me espera.

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