Nas entranhas do Cosmos, onde a ideia estagna,
Eu vejo a Índia — panteísta e mística —,
Bebendo o Ganges numa ânsia estatística,
Enquanto a carne em podridão se magna.
Lá, o Nirvana o sofrimento aplaca,
E a alma, liberta da matéria imunda,
Abisma-se na noite mais profunda,
Onde a ilusão do Maya se esfiapa.
E além, no Extremo, em clausura búdica,
O Japão se recolhe, mudo e esconso,
Numa ascese silente, quase lúdica,
Fechado ao cancro que o Ocidente inflama...
Dois polos de mistério, onde o mofado sonso
Do homem se esvai na palidez do Bramã!
Nenhum comentário:
Postar um comentário