Viste, Schopenhauer, na medula fria
Desta matéria orgânica e maldita,
A Vontade cega que o orbe agita
E em cada verme a dor multiplica.
Se o próprio satanás, na sua orgia
De treva e podridão que o peito habita,
O Céu governasse, a luz bendita
Nesta mesma miséria se fundiria!
O mundo é o escarro de um deus decadente,
Onde a carne chora a sinapse doente
E o átomo escraviza a humana ilusão.
Nenhum consolo resta ao triste vivente:
Somos a larva que rasteja impotente
No trono negro da destruição.
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