domingo, 27 de dezembro de 2015

Balada da manhã em névoa

Então amanheceu os teus olhos
brancos como o dia branco.
E cheio de poesia iluminando
o ar da maça e das verdes ervas
o teu rosto percorreu o imenso
céu enegrecido.
Não houve luar que
pudesse estampar o te sorriso.
Não houve chama que pudesse
iluminar toda a luz que saltou
dos teus seios de mariposa.
Anotei correndo, apressado
como um fantasma em desespero
o teu nome diate das rochas
marinhas.
Amanheceu mesmo que a 
noite não suspeitasse disso.
Amanheceu mesmo que o
vento passasse tão rápido
pelas taças dos pássaros
e dos suspiros. Simplesmente
amanheceu os teus olhos
brancos como o dia branco.


Lua, cretina lua


Sólo los poetas tontos cantan la blancura de la luna
provérbio espanhol antigo

Lua, cretina lua
que desliza
nua sobre
as folhas
vermelhas
que caem
na terra do
luar sonolento.
Lua, cretina lua
que aparece
além do mar
que subjuga
os olhos
dos lobos
domésticos.
Lua, cretina lua
que poeta não
te viu, espelho
cru e branco
cintilando aos
anjos?
Lua, cretina lua
que eu possa ver
as estrelas sem
delirar diante
de tua luz
de profundo
luar...

lo?ve



vou amá-la
porque não sei (?)
eu queria ? saber

mesmo porque
de amá-la?
como um
pássaro azul?
ou uma palavra (?)
não sei não entendo
nada do que escrevo
mais mesmo assim
faço e martelo os
meus versos
e daí? quem
descobriu o amor?
e se quero falar
de flor? de flor
que se abre que
se desabrocha
solitária no
campo como
alguns poetas
fazem antes
de cantarem
em prantos
amei
amor o tempo todo
te amei

two poems in English



I
let's you and me
my love,
see the sunset
is ending
in the dark
From the eyes
heavenly
from the day...

ii
wanted to be
as a moonlight
hidden
besides the
stellar dunes
and ending bitter
like a song
Latin

Venho do sul

Venho      do sul
ao      lado de árvores
cinzentas

percorri rios
rios      sonolentos
perto      de árvores
vermelhas

Venho      do sul
do frio       escapei
mais    dormi perto
     de árvores
negras

Venho do sul
             fugido da luz do luar
alguém        me esqueceu
tentei          me encontrar

Venho do sul
       perto do deserto
sou da luz verde
      dos campos
                  abertos

Venho do sul
         para nunca mais voltar
quero sumir no vapor
           e eternamente
                          sonhar

Venho do sul
            sem dizer adeus
     vivendo perto dos
             bosques que alguém
   (eu mesmo)

                           [esqueceu 

Um soneto surrealista

Óh olhos de sombras que voam
E me cercam, e me olham no
Meio da escuridão do dia 
Luminoso se encerrando da janela.
Assim são os beijos que te dei
Nas varandas do oceano. E assim 
Encerrei o arco-íris de uma só
Cor dentro da palavra amor.
Vou ir para nunca mais retornar.
Vou ficar apenas por alguns instantes
Infinitos. Serei o marinheiro
Que deixou as estrelas esperando.
Mais quero retornar chorando, só para
Ver de novo os teus olhos que tanto amo...