sexta-feira, 13 de abril de 2018

Minha amizade e meu amor



Pra você que foi tudo pra mim
pra você que me disse que sim
pra você que me abraçou no escuro
minha amizade e meu amor !

pra você sorrindo na noite
clareando as estrelas
pra você no vento do dia
acalmando as feridas da vida
minha amizade e meu amor ! 

pra você que dormiu nos meus braços
pra você que guiou os meus passos
pra você que esteve comigo
pros nossos beijos tão sentidos
minha amizade e meu amor  !

não consigo te tirar da cabeça
és a rainha és minha princesa
onde posso ficar e dormir com você
só posso dizer que tudo pra você eu dou
minha amizade e meu amor !

O mapa



-Para onde nos leva
este mapa?
-Que mapa?
-Todos os mapas.
-Todos os mapas
presos no tempo do sangue.
-Todos os mapas.

-Que mapa?
-O mapa dos sonhos?
-O mapa da vida,
empalhada em águas.
-Que mapa?
-O mapa dos ritmos,
dos olhos, das mortes,
o mapa sem asas,
o mapa esquecido
nas tumbas dos peregrinos?

-Santo mapa,
o mapa de whitman,
o mapa de quevedo,
o mapa de joão cabral,
o mapa de neruda,
o mapa de bishop,
o mapa, mapa,
o mapa do bem, o mapa do mal,

-que mapa?
-todos os mapas.

Caminhada na cidade



(noturnas estrofes de seda)

Não ando por essa
cidade.
Quando me pús a andar
por ela, a noite,
descobri que tinham
me assassinado.
-Tinham me assassinado?
Sim, tinham me assassinado.
Por isso, me fui triste,
assustado e desesperado,
lendo as lágrimas dos mortos.
Trabalhando para porcos,
fui assassinado.
E minha alma, desesperado,
não partiu para o mar,
nem encontrou
outros mortos.

( colagem ) 

Meditação no jardim de minha casa


Ficarei só
com o meu poema
no meu jardim de
suaves rimas.
Esse é o meu anátema,
eu diria,
onde as coisas
não tem vez.
Por isso a 
noite não consola
minha alma
sem cerejas.
Nessa hora
posso me entristecer,
mas me consola
esse
poema.

Um retrato suave da "morte"



-SÃO PAULO-

A morte espreita
tumbas fazias
e almas assoladas
por caixões de madeira.

A morte é uma criança
que discute com o
rei da Água o absurdo
dos impostos do petróleo.

A morte não tem olhos
para ver a primavera
beijar com ventos
a boca do rei grilo.

A morte é o vazio
de tumbas clandestinas
onde almas assoladas
clamam por suas vidas.

A vista de São Paulo



São Paulo, pedra ou moinho
de prédios grandes, inchados
talvez vazios.
São Paulo, onde a morte
é um besouro absurdo
de lágrimas intranquilas
e
carros.
Onde o céu não é azul
onde as pessoas não são aves.
Será ali São Paulo
no seu ritmo de cidade
no assunto das grades
na especulação dos tiros.
Dizemos adeus, porque sempre
é hora de dizer adeus
para São Paulo.

( colagem )

Visita da solidão escancarada



Asas de querubins
 pelo portão esverdeado,
olhos de estrelas cegas,
mãos de tijolos queimados.

O muro que nos separa
é uma corrente de ferro
onde repousam
rosas e fantasmas
                         sem alma.

A porta é um vaso
arremessado do jardim do éden
e as flores que choram
consola a nudez das nuvens.

Carros sem gasolina
suspiram pela pálida
                         ferrugem,

e um diamante

é um coração abatido,
sem favores.

Enigmas caem do céu
como maná,
pão celeste sem dores,
e a angústia fere o mel das
                                           flores.

Delicadamente a visita
vislumbra o sofá das almas
e conta causos e contos
tristes e engraçados.

Por fim o texto escrito
cicatriza a situação.
E anjos pálidos 
sobem do jardim
                  sem asas com nove mãos.