domingo, 2 de março de 2025

sintaxe cubista

 (...

já faz sombra o céu

e não chove nenhuma

gota de licor que ela

levou em nosso 


beijos feitos de arcanjos

nuvens feitas de poeiras

pombas, pombas nuas

dançando o carnaval


lindas morenas que

sonham com a água

e a pedra de ouro


e do outro lado do mundo

um mapa feito de concreto

uma linda rosa, o amor,

e a conclusão dos pensamentos.

)...

Paisagem da natureza humana n. 1

 A natureza é um moinho de prantos,

e eu que escrevo sem lapis

choro meus prantos pelas tardes

sem ter nenhum consolo do calor.


Faz frio na alma! Faz frio no amor.

Onde está o colo do meu avô que

criava ao longe cabras domesticadas?

Onde está o sorriso azul dos olhos

da minha avó que amassa seu pão

com o carinho de todas as santas

que nasceram da igreja Protestante

e Católica?


Eu sou esse jardim triste,

passando pelos querubins como

se uma fornalha de sal me

jogasse o corpo e o coração até o mar.


Sonhos tantos...

Hoje a alma canta um novo hino.

Um hino, que o corpo não quer lembrar...

Cançãozita Africana

 Você não se lembra de mim,

pequena, pequena,

pequena da Costa do Marfim.


Tu me esqueceste, eu que

te fiz sorrir e sorrir.

Ai, que será de mim,


sem tu, minha pequena,

minha pequena, pequena,

minha pequena

da Costa do Marfim.


Morena d' Angola

 Baila a linda morena,

a linda morena d' Angola.

Ela leva um guarda-chuva

e o mar em seus braços.


Ai, como ela baila,

baila lindamente essa

morena d' Angola, 

e como rebola lindamente,


esse ar de pureza,

esse sol escuro que ela

tem na sua pele negra

me deixa clareado de Amor.

O jogo dos olhos

      .. nossos..

olhos

infinitos

            nesse

      jogo

o jogo     dos olhos

do

amor

sempre ! ). 

sábado, 1 de março de 2025

Fernando Pessoa de noite medita

 Fernando Pessoa de noite medita,

diante da luz eletrica nova que atiça

suas muitas almas a contemplação.

E colhe no oculto, algo que é magico,

o meditar profundo das soluções.


Caminhar em tí

 Caminhar em tí 

e andar em tí,

moinhos, vilas, cidades,

tantas,

tantas saudades

que já não me cabes

o ser e a alma em uma só.

Caminhar em tí,

e andar em tí,

sonhos, lembranças tantas,

tantas saudades

que já não se sabes

se é o mar ou o céu

que te leva além ao barco

afastado sim.