quarta-feira, 19 de abril de 2017

Minha carneirinha



Minha carneirinha
minha mulher
tão bela, tão linda
minha pequena carneirinha
de cabelos tão escuros
de cabelos tão pretos
cabelos de uvas
cabelos de desejos
percevejos que dançam
em minha canção
só pra te agradar
o coração.

Minha carneirinha
minha mulher
do oriente
olhos puxadinhos
pela tão negra
tão clara tão escura
tão alva tão lua.

Minha carneirinha
minha mulher
que dança na chuva
que dança na colher
que colhe o polén
no campo dos meus lábios
que chora minhas lágrimas
que fica do meu lado.

Carneirinha, carneirinha,
bonitinha, bonitinha.
Ela é linda, ela é linda.
Tão bonita sua brisa de carneirinha.

Pequeno hino



Quando eu estiver
chorando
Jesus me virá 
acalmar

Em minha alma há
um pranto
e Jesus quer me
consolar.

Adorado seja o nome
do Senhor Jesus, amém.
Adorado seja o nome
do Senhor Jesus, amém.

Frio



Silêncio, a cidade está deserta.
A névoa passeia pelas casas
e um chiado de frio acompanha
as calçadas frias e tristes.

Uma luz vaga sozinha pelo campo.
Pode ser um vaga-lume
ou um poste de luz que
se pôs a caminhar pelo frio.

Uma janela se abre: seria a
felicidade? 
Supõe-se que sim.

Mesmo que a mágoa seja
fria como o frio que chia.
Um gole de café. Nada. Uma coruja pia.

As folhas das árvores



As folhas
das árvores
ao vento
mexendo.

Um, dois,
três.
Uma folha
caiu. 
Mais uma,
mais duas,
mais três.

As árvores
dançando
ao chiado do
vento.

Uma chuva
caindo.
Uma folha
mais uma
mais três.

As folhas
das árvores
ao vento
mexendo.

Amanheceu no campo



Amanheceu no campo
amanheceu no campo.
Ai, os olhos dela
são ciganas dançando.

Amanheceu no campo
e o ar é gelado é trincante.
Quem diria que ela
me amaria como antes?

Donzela, o campo está
com luz como uma tocha.
Queimou-se a vela.
Amanheceu no campo.

Resquícios de calderón de la barca



Não te pús o nome que te caberia
num poema que fiz com poesia.
Não foi mistério dizer que a vida
se é um sonho se resume a isso:

poesia, sentimentos e peças, vivenciadas.
Não é um tabuleiro imenso 
que deve ter as coisas bem ordenadas?
Não te pús o nome que te caberia.

E daí? Que graça tem ficar lembrando
que tudo na vida é mais que um sonho?
E se perde tudo, doce engano.

Leu tu como eu o eclesiastes? Não
é o outro que atinge a nossa arte?
Não faz mal. Nada é tarde.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Amor noturno


(decifrando o teu coração de manteiga e mel)
Não é o ar da noite
que nos faz dormir
e sim os nossos beijos
estrelados de caracóis
rouxinóis e outros sóis.
Que me cabe na escuridão
se não avistar o teu rosto
a claridade dos teus olhos
a formosura doce e suave
de planta, madeira, das
mexas negras dos teus
cabelos lisos e encaracolados
como pequenos vaga-lumes.
Se é amor? Perguntas com
um sorriso doce e salgado.
Nenhuma água de fonte
pode jorrar sal e doce,
mais você é salgada como
a noite e adocicada como
a fria ventania que o céu
escuro carrega até os meus olhos.
Por isso durmo tranquilo nas calmas
do E'terno. Por isso te amo tanto.
E mais nada digo sobre isso.
Obrigado.