sábado, 28 de maio de 2016

Final


Então se foi: pura como a manhã.
E era tão linda, tão triste tão duvidosa.
Carregava nas mãos uma flor
uma flor estranha, semelhante a rosa.
Então se foi: não era nem estava.
Perdia o sorriso quando uma estrela
branca se apagava no escuro negror.
E o vento levava as velas e o amor...
Então se foi como se nunca fosse.
Então já não era, então já não estava.
Finalmente adormeciam os olhos com
gotas pequenas (eram mariposas
em forma de lágrimas).

Dorme navio (acalanto marinho)


...
Dorme navio
o mar balança
a noite é linda
e é fria a esperança.
Dorme navio
que o mundo é grande
teus olhos serenos
minhas mãos pequenas.
Dorme navio
o dia é cinzento
a vida absurda
o amor um momento.
Dorme navio
dorme e sonha
que enquanto balanças
as ondas nos banha.
Dorme navio
que o ar é frio
dorme e sonha
o mundo é grande
e a pátria é distante.
Dorme navio
dorme e sonha.
O cavalo trota
e o vento galopa.
Dorme navio
dorme e sonha.
Que enquanto te
amo aparece uma
nuvem branca.
Dorme navio
o mar balança
a noite é linda
e é fria a esperança

Mais uma canção de mariposas


___________________________
No jardim em pleno inverno
onde tua face não é negra nem branca
onde nenhuma estrela brilha
onde não há frio nem luar
só naquele lugar onde não há
tempo nem segundo, só naquele lugar
onde o absurdo se encontra
camuflado em forma de flores
somente ali tu consegues olhar
o futuro das minhas palavras
azuladas de verde
porque carregas em tuas asas
os meus mais profundos sonhos
ó mariposas, ó mariposas que não voam
mariposas que não são
e que pousam dentro do
meu coração sem direção.
No jardim, naquele jardim, nessa fonte,
naquele destino, naquela ode, onde
li três vezes seguidas o teu nome
ali mesmo formei minha direção
sem vento e sem luar.
Mais uma vez me carregavas
em tuas asas coloridas, ó mariposas
porque eu era uma noite escura
e vós uma lua imensa.

teu nome

Teu nome?
sombra!
Teu nome?
luar?
Teu nome?
medo.
Teu nome?
amar.

Meu rosto sangra


Meu rosto sangra
versos em forma
de mariposas...

Ai, que o vermelho
escorre como uma
estrela se explodindo...

Meu rosto sangra
mais não morre.

Meu rosto se reflete
em todos os bosques
frio da vida...

Ai, que sangra
como um touro
transpassado na
tourada.

Ai, que sangra e
sangra
porque sou a
medida de todas
as coisas que existem
só para mim.

Por isso meu rosto
sem riso e sem lágrimas
sangra rosas e jasmins.

Meu rosto sangra e sangra
como um touro ensanguentado.
Meu rosto sangra
sem presente e sem
passado.

Porque sangras, ó rosto
tão apaixonado?
Talvez, responde-me
sangro apenas
por estar apaixonado.


pássaro no ninho

escorre a lágrima