segunda-feira, 6 de abril de 2015

domingo, 29 de março de 2015

A ÚLTIMA MUSA




Ela foi a última musa que vi
percorrendo o céu e os infer'nos.
O rosto simbolizava a metáfora do
da vida, sem enigmas e sem mistérios.
Nos cabelos escuros havia uma lua
dourada e prateada, embelezando
suas melenas melancólicas...
Ela foi a última musa que vi.
Os pés na areia da praia
pareciam um sonho duradouro
e infinito, um sonho de amor profundo...
Ela foi a última musa que vi,
percorrendo o céu e os infer'nos.
Seu nome, se não me engano, era Beatriz. 


quarta-feira, 25 de março de 2015

Ode ao banco

Atravessador de 
pessoas,
engolidor
de depósito,
carrasco do
dinheiro ou
escondedouro de césar.

Quem és? Sou o banco!

Espere, o dinheiro
quando não cai do céu,
cai do bolso.

Não é assim que
vê os bancários.
Não despreze o dinheiro,
diz os salafrários. 

Por favor, espere
 sentado
o número do seu 
chamado.
Não está escrito 
na tua testa
"besta oficial"?

Prometo um dia
te abraçar

quando eu 
aprender
nas portas giratórias
o significado de
 'depositar'...

PARTE (A) - sobre a criação do poema

A REVELAÇÃO DO POEMA

O poema se revela
                     em silêncio.

Quase tímido, se abre,
                            mostrando-se em partes.

Revela o que quer revelar:
a coisa exposta no quadro do museu.

O poeta é simples cirurgião
que contempla a obra feita.

A obra está exposta no museu-palavra, no museu-livro,

...e se veste a roupa que faltava
o poema se movimenta como peixe...



O NASCIMENTO DO POEMA

Quase um poema
me nasce; ai, se o coração falasse.
Se nascesse de parto natural
o poema riria.

O coração ri, na sua pergunta dúbia:
como seria a risada da poesia?

Não há risada 
no nascimento de nada.
Como planta o poema cresce.
Tinta, quase semente no papel.




O ENGENDRAR DO POEMA

o poema não quer nascer;
ele está dentro do ser, engasgado.
ele precisa nascer, tomando forma
para crescer aos lados.

o poema não quer nascer;
ele quer se criar, se conhecer.
a cada golpe suave do martelo/tinta
sobre o papel branco, suas cicatrizes

gritam: estou aqui, vindo, diz sem engasgo.

o poema não quer nascer;
ele se faz como que forçado.
não sabe se sente ou não-sente.

e vai o poema se engendrando, como árvore crescendo....