segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pulsa


...
Pulsa o meu
coração como
uma pedra.
Como uma
estrela.
Como um
sol. Meu
coração
não cabe
em mim,
nem cabe
no mundo.
Meu coração
é maior do
que uma usina
de eletricidade.
Meu coração
é uma usina
nuclear.
Pulsa o meu
coração como
uma pedra.
Como uma
estrela.
Meu coração
pulsa como
um pequeno
verme se
arrastando
pelas flores
gigantescas.
Meu coração
pulsa, querendo
se camuflar nos
enormes prédios
da cidade.
Meu coração
não cabem em
minhas mão.
Meu coração
só cabe dentro
do teu amor,
ao lado do teu
coração.

Enigma


...
Eu não tenho mãos, eu não tenho olhos,
eu não tenho chuva nem mar, eu não tenho
engrenagens que necessitam de óleo.
Eu não tenho meta, não tenho caminho,
sou uma máquina emperrada, parada.
Quando me viram no meio do asfalto
eu não estava morto, eu não estava vivo.
Eu era meio a meio a tudo.
Eu estava camuflado dentro
da esfera azulada desse mundo.
Que susto! Que assunto!
Ninguém mastigou minhas palavras camponesas.
Ninguém abriu as portas azuladas do coração
para minhas penas geladas de suor.
Eu não tenho mãos, eu não tenho olhos,
eu caminho como um ser sem identidade.
Meu nome é agora, meu nome é futuro.
Não deixem a janela do destino
aberta para os suspiros inconclusivos do mar.
Que as gaivotas pousem minhas mãos azuladas,
que em meus olhos chuvas de lágrimas
possam se transformar em um paraíso.
De resto, deixem meu coração se desenferrujar.

Quase um soneto de amor


...
Eu quero sete coisas
e que essas sete coisas
sejam infinitas.
Primeiro que o amor real
e azulado das marés,
depois quero o teu
beijo em forma de espiga.
Quero o teu cheiro me
guiando pelo campo deserto.
Quero o sol brilhando em
minhas lágrimas de verme
humano. Depois, quero
um soneto que não seja meu,
só para lê-lo sem olhos no escuro.
Depois, quero virar brisa.
Após isso, depois de tudo
isso quero descansar em
teus braços, lábios, seios.
E só.

(Não é pedir muito).

visão fictícia de iwo jima



Guerras?
          -É trivial.
Morrer?
          -Não é novidade.
Uma ilha sagrada? 
                   - Existem aos pares.

Vê que o homem
se move como um coitado.
Para matar é fácil
porque quem morre
é que está no outro lado.

 Outro lado?
         -Coisa de religião.
 Poesia?
      -Coisa de maricas.
Eu faço versos
como quem es
pirra.

Por que defender
uma ilha tão
quente tão aberta?
Por que a guerra
ofende mais aquele
que não a vive?

 Guerras?
          -É trivial.
 Morrer?
                          -Não é novidade.
Uma bomba cai
a cada instante
para iluminar
o céu aberto
(imagine 
se
as bombas
fossem
feitas de
estrelas).

Que rio? Que fonte?


Que rio? Que fonte?
Que mar? Que colina?
Deixa-me enterrando
na areia dos teus
olhos, que viverei
de suspiros.
Que rio? Que fonte?
Que estrela? Que pão?
Deixe-me enterrando
na imensidão.
Quero me perder
nessa fumaça de
chaminé. Não quero
ser mais o camponês
que fui. Deixem-me
ser uma baleia indus-
trializada, uma baleia
da burguesia. Deixa-me
mastigar a constituição
como um tomate vermelho.
Que rio? Que fonte?
Que dia? Que mês?
E você estão tão dis-
tate...

Amor, o dia é frio.

 Amor, o dia é frio!
Amor, agora as
colinas estão brancas
por causa do vento e da neve.
Ai, amor, quem dera um beijo
teu de cor de framboesa.
Aqui, de frente ao mar 
invísivel do meu coração
vejo o teu rosto suave
de folha marinha.
Amor, o vento me
congela o coração,
congela a minha alma
em sete pedaços.
Amor, amor meu,
o dia é frio e o meu
amor é frio como
um camaleão sombrio.
Amor, amor meu,
que não falte em
s o pão da paixão
nem o incêndio do
coração em forma
de estrela.
Amor, o dia é frio!
E o vento passa
tranquilo e suave
como uma onda
se quebrando 
ao mar...

pássaro voando