domingo, 2 de março de 2025

Enfim o mar...

dedicado a memória de Ariano Suassuna, Camões, José Saramago e Gil Vicente

 

Enfim o mar...

o mar na minha frente...

indo... voltando...

enfim o mar...

bailante mar...

lá longe, Cabo Verde

a me esperar...

e aqui, enfim...

o mar...

o mar...

o mar...

Nas ruas de Campinas

 



Nas ruas de Campinas

eu passeio entre peixes

feitos de prédios e pessoas

que fumam trabalho.


Ay, que  a noite vem, menina,

Ay, que a noite vem, menino.


Nas ruas de Campinas

eu vejo os olhos dela pela

mureta que me acompanha

e as luzes estrelas lusofanas.


Ay, que a noite vem, menina.

Ay, ay, que a noite sempre vem, menino.

Crônica poética

 



Estou vestido vestido

vestido de paz, mora

pela cidade embora

se eu for eu não volto

eu vou saltar e voar

igual a mariposa laranja

que me viu passar pela

esquina tranquilamente


carregando as compras.

Adamantina, cidade onde nasci no interior de São Paulo

 



minha pequena cidade

quem cresceu e te esqueceu

ou foi você que cresceu

e me esqueceu

ou fui eu quem cresceu

e te esqueceu?

Triste consolo

 



Não me sento na janela dos seus olhos

para desmoronar construções exóticas viscosas

quem me livre de ver você

se não eu mesmo que quero sonhar em estar com você

o tempo não apagou minha melodia

eu juro que por você eu tudo fazia

cabem num poema a saudade e a solidão

de mil abraçassos cansados e aves

pairando da américa a africa negra e arabizada

eu preciso ver todos vocês do mundo

por causa dela que é uma porta e uma janela

que me deixou no escuro sem estrelas nu pelado pelado

e virei um lindo e belo escravo e parti

na prisão do amor eu me ajoelhei e me esqueci

de viver dentro do nosso ser

dentro do nosso ser.

Saudações africanas


em meio ao ar da nação Angolana

vejo muros e belas pinturas cubistas

e escrevo um novo poema de amor...


do outro lado

do outro lado do Atlântico

um navio me leva e me traz


e eu sonho com

pequenas aranhas, cobras, corais,

e pequenos bambus que eles acenam


em sorrisos luzidos de eternidade e café.

herança Moçambicana

 o sol pequeno

nasce do outro lado

moçambicanos acenam

para o litoral do pacifico

para a patria brasileira


carros e cidades se cruzam

e a bandeira brasileira

quadriculada treme em meus olhos de português.