dedicado a memória de Ariano Suassuna, Camões, José Saramago e Gil Vicente
Enfim o mar...
o mar na minha frente...
indo... voltando...
enfim o mar...
bailante mar...
lá longe, Cabo Verde
a me esperar...
e aqui, enfim...
o mar...
o mar...
o mar...
dedicado a memória de Ariano Suassuna, Camões, José Saramago e Gil Vicente
Enfim o mar...
o mar na minha frente...
indo... voltando...
enfim o mar...
bailante mar...
lá longe, Cabo Verde
a me esperar...
e aqui, enfim...
o mar...
o mar...
o mar...
Nas ruas de Campinas
eu passeio entre peixes
feitos de prédios e pessoas
que fumam trabalho.
Ay, que a noite vem, menina,
Ay, que a noite vem, menino.
Nas ruas de Campinas
eu vejo os olhos dela pela
mureta que me acompanha
e as luzes estrelas lusofanas.
Ay, que a noite vem, menina.
Ay, ay, que a noite sempre vem, menino.
Estou vestido vestido
vestido de paz, mora
pela cidade embora
se eu for eu não volto
eu vou saltar e voar
igual a mariposa laranja
que me viu passar pela
esquina tranquilamente
carregando as compras.
minha pequena cidade
quem cresceu e te esqueceu
ou foi você que cresceu
e me esqueceu
ou fui eu quem cresceu
e te esqueceu?
Não me sento na janela dos seus olhos
para desmoronar construções exóticas viscosas
quem me livre de ver você
se não eu mesmo que quero sonhar em estar com você
o tempo não apagou minha melodia
eu juro que por você eu tudo fazia
cabem num poema a saudade e a solidão
de mil abraçassos cansados e aves
pairando da américa a africa negra e arabizada
eu preciso ver todos vocês do mundo
por causa dela que é uma porta e uma janela
que me deixou no escuro sem estrelas nu pelado pelado
e virei um lindo e belo escravo e parti
na prisão do amor eu me ajoelhei e me esqueci
de viver dentro do nosso ser
dentro do nosso ser.
em meio ao ar da nação Angolana
vejo muros e belas pinturas cubistas
e escrevo um novo poema de amor...
do outro lado
do outro lado do Atlântico
um navio me leva e me traz
e eu sonho com
pequenas aranhas, cobras, corais,
e pequenos bambus que eles acenam
em sorrisos luzidos de eternidade e café.
o sol pequeno
nasce do outro lado
moçambicanos acenam
para o litoral do pacifico
para a patria brasileira
carros e cidades se cruzam
e a bandeira brasileira
quadriculada treme em meus olhos de português.