sábado, 20 de maio de 2017

As vezes


As vezes você
não me vê
ou finge não
me ver
e eu
tornado
fantasma
pela imposição
social dos seus
olhos
viro sombra.
E quando me
ressuscitar
como um
tigre melancólico
o amor pulsa
da garra e do beijo.
E você torna-se
o espelho / a física
a companheira que
a noite não pode trazer.
E então ressuscito
em seus braços.
E essa é a primeira
ressurreição do nosso
amor!

Eis o amor e o não amor



Eis o amor e o não amor
em teus braços coxas cabelos
em teu sorriso de farinha
em teus olhos de mariposa

Eis o amor brilhando e o não amor
eis aceso o barulho do seu perfume
eis a tocha física do mel que
das suas palavras se tornam físicas

Eis o amor como um ponto e o não amor
voando e sobrevoando o mar
indo e voltando como uma onda
sendo e não sendo espuma e tristeza

E o amor arde e o amor geme e o amor suspira
pela terra dos seios de estrelas as nádegas
tão delicadas de vento as mãos consteladas
que tens que ages que ara que movimenta

Eis o amor e o não amor.
E é tudo o que posso te dar
Nesse poema!

Seu sorriso


(e não é o seu sorriso uma metáfora?)

E quando o 
seu sorriso
se perde no
horizonte
sua voz de
trigo, sua voz
e o seu sorriso
tentam me
alcançar.

Eu vejo, amada
minha, tua voz
de amora,
teu sorriso
de estrela.

És o porto
mais seguro
para o mar
do meu coração
machucado de
leão-marinho.

E como dizer
em sete línguas,
em sete ondas,
em sete prédios
a beleza intensa

que contem
a concha do
seu sorriso?

Amada, seu sorriso
é terrestre. E eu sou
marinho.

E por
existimos
um para o outro.
Existimos para
ser um a um.

E quando o
seu sorriso
se perde no
horizonte

a manhã se
expande e o seu amor
brilha

como uma tocha
cheia de

mel e vida!

Chove em teus olhos


Chove em teus
olhos pequenas
e as nuvens choram
enquanto componho
o meu poema.
Cada gota é um
beijo de maracujá
que ela meu deu
como estrelas.
A chuva e o frio
é o cobertor daquele
amor que só tu e eu
sentimos amor meu.
E nos teus beijos
a tempestade descansa.
Porque te amo
e tu me amas.

Oriente


Cabelos negros
o vento que passa
o sorriso dela
o oriente do meu
ocidente.

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Lembrança


O mar e o não mar,
o fim e o não fim.
Nada e o não nada.
O céu escurecido,
o vento passando,
a estrada, a luz apagada.
Uma uva
nos seus lábios.
O amor
numa folha de papel.
As ameixas
de um beijo.
O espelho
em forma de palavras.

De vez em quando


De vez em quando
me recordo que estou vivo.
Então me molho
como um caramujo.
E sorrio com o meu
coração de chumbo e ferro.