quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Última valsa



Erguemos os
nossos olhos
com estrelas,
com mares.
O frio nos
toca a pele,
o vento arrepia
os nossos corpos.
O espelho me reflete,
e eu me reflito em teus olhos.
A noite carrega a asa do dia
e o dia carrega a asa da noite.
Luz e escuridão são o rosto de
uma mesma moeda de prata
jogada ao chão.
E eu te amo, na luz e na escuridão.

O galo



Dentro do silêncio
um ovo gera um ser.
Avistar na linguagem
a dança da noite e
descrevê-la para ti.
Um ser cacareja ao
sol. Este, ilumina-me
pouco a pouco. O dia
é frio, a ave é fria, o
bico canta infinitamente.
Ao som do sino levanto
minhas mãos e ergo um
breve lampejo. Imito o
galo. E o galo, não sabe
nunca o que imita.

Romântico



A aurora pode brilhar dentro
do relógio de tuas mãos.
Não me importo com a 
nuvem roxa distante, mais
sinto que te amo como amo
a primavera fria do seu batom.
Um dia, eu também serei nuvem.
E serei dissipado no nada 
da existência. Queria ser
apenas como as folhas e cair
puro e alegre na primavera fria
do outono dos teus olhos.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

diálogo entre cristão, judeu e mulçumano

-O *messias já veio. Mais vai voltar!

-O messias não veio. Mais vai chegar!

-O único messias é Alá!


*messias do hebraico significa "ungido"

Meu paraíso

                Meu paraíso
(como descrevê-lo sem cetas?).
Aquela árvore cheia de 
lodo, aquele chão esverdeado,
Tudo se mistura dentro dos teus olhos azuis, 
olhos de mangá. 

O vento percorre
o meu corpo. O céu é azul
para todos os sapos gigantes
que coaxam da janela
enferrujada de nossa
casa. 

O vento percorre
o seu corpo angelical
de amora incandescente.
Ouço um uivo 
dentro da memória.

Não ficou registros
em cartas. nem descrições
de navegantes para esse
lugar
puro e magnetizado
de flores abundantes 
e pequenos roedores.

Uma fotografia
é o que sobrou desse paraíso
corroído pelas chamas
que adentraram pelo
espelho puro dos
nossos olhos. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Fim de agosto

        Fim de agosto



A névoa branca se excedeu por cima do verde
do campo, quando visto da janela.
A nossa vista ficou totalmente iludida 
diante de tanto branco, um branco que
chega parecer a fumaça de algum motor enguiçado.

As vacas que estavam no pasto continuam lá,
comendo o capim petrificado de gelo e de vento.
Contei umas sete, quando passeava por ali.
Uma, a mais bonita de todas, era preto-e-branco
de cor, e parecia ser a mais velha, porque estava
rodeada pelas menores.

Acho que as flores ficaram murchas com tanto
vento. Na rua, vi apenas uma, roseada, se abrindo.
A chuva fria e quieta, deve ser sinais de mudança.
Pela janela dá pra ouvir dois discursos: a oratória

da tempestade fina que cai, gota à gota,
chicoteando as telhas com teia de aranha,
e a propaganda política dos que competem
pelo controle da prefeitura da cidade.

Ah, então isso é aproveitar a tarde de agosto?
Não ter nada para fazer, a não ser
recitar de trás para frente poemas
velhos de velhos livros empoeirados?

O céu pareceu se condoer da nossa tristeza
e quis nos presentear com um belo espetáculo
de azul e branco. O sol, artista nato,
seduziu uma pequena poça de água
formada no meio do barro vermelho
no canto da casa.

Um silêncio de ouro pode muito bem
aplaudir esse espetáculo sonoro
de fim de agosto.

confessionalismo

     A
                            minha loucura
                    é só minha
                                                                 -provavelmente.
O meu sonho
é meu
         e meu
é aquele gambá que vi
em cima do muro.
Porque? Porque
os meus olhos viram
a noite e as estrelas.
E só tu me contemplava.
                                             -Só tu...