quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Arcanjo andarilho



Arcanjo andarilho


Se vejo anjos

Se vejo anjos
Com os meus
Olhos de homem
Então sou santo
Então sou alguém
Que já não sabe
Se vive ou se morre.

Belas asas de
Querubins inflamadas
Pelo fogo divino da
Misericórdia.

Fogo, este, que
Consome a tudo
E a todos.

Deixai que a morte
Responda as questões
Dos rios e das árvores.
Se vejo anjos nos bosques
Se vejo almas nas casas
Se vejo flores nos bosques

Sei que Deus ali me guarda.



Sem sombra de dúvida

Sem sombra de dúvida
Te amo e não posso me
Esquecer desse amor
Que a tudo consome.

Sei que ele não pode
Ser visto pelos olhos
Incompreensíveis dos ateus.

Esse amor carregado de
Nuvens e flores
Se move até os altos céus
E se derrama pelo deserto
Entre as orações e as lágrimas.

Amor, que divino caminho escolhido:
-O caminho de amar profundamente.




Estrofe

Eu não me escondo enquanto sonho porque canto e sou consolado pela voz de Deus no meio de sombras que velam meus olhos.
Olhai bem: aquela nuvem é um rei.
Aquela pedra aflita entende a aflição
do peregrino que caminha sem rumo.
A maçã caída entende a queda de todos
pecadores.




Maktub

O amor sempre será um ato de fé maior que o universo inteiro.




Entre os seres

O melhor que temos não
é o silêncio em um mundo
terrível.
É a ação (não o movimento)
de efetuar o bem (em um mundo maligno),
esse raro desígnio
entre os seres.


 

Eu já fui poeta 
Isso faz muito tempo
Quando eu vivia
Em outras eras
Na Espanha medieval
No antigo Egipto.
Eu já fui poeta
Em barcos, cidades,
Nos campos das feras,
Nos bosques das driades.
Eu já fui poeta
Falei de deuses
E heróis, ciclopes
 E sereias do Mar Mediterrâneo.
E entre estradas e homens,
Vi o amor e a face da esperança
Em cada flor e em cada janela
Onde a alma pura descansa.




Os labirintos

São os seus olhos verdes,
Nuvens exiladas na terra,
Ou são o fogo das velas
Que choram mui ausentes?
Se vejo a beleza de tal rosto,
No sorriso da fera amorosa,
Não sei se caio vivo ou morto
Nas altas e bravas ondas.

Esquecerei essas paredes que
Ferem o coração semelhante
A um arpão afiado contra o pe

Ixe que se mexe para frente.
Se nada restar construirei a chave
E olharei ilhas que não sejam mar.




O fim do mundo

Sim, espero, que seja
O arpão e o mistério.
É o fim do mundo que
Chega entre o chão e
As pessoas que já não
Choram, porque tudo 
Se esvazia na escuridão.
Olhamos o fogo e a água,

O vento passando pelas
Bocas, as jaulas, enquanto
A aranha tece sua teia

Os homens tecem redes.

Levantai as mãos ao alto
Uma estrela cai ausente.



Dos sonhos...

Se sonho coisas como essas
Labirintos, navalhas, estrelas,
Vejo nos largos passos que dou
Uma enorme presença física
Onde não se pode achar nem
O aço, nem a fechadura, nem
A casa onde o gato dorme.
Pois se tudo se move para
Abrir os olhos quando o relógio
Apita acordamos desesperados
Para a tristeza bela da vida.
Luar dos ciganos, misteriosos
Sons de onde a alma percorre.
Suspiramos todos nesse  mar.


O último detetive

_ Hoje é apenas um retrato quieto na parede.



Se há um mar 

Se há um mar
já não quero mais estar no sol.
Que os raios da espiga brilhem
no horizonte de outras colinas.
Se há um mar
que os elfos dancem e a noite
seja triste e fria.



Tô baixando música
Tô tocando espírito
Tô sentado de lado
Tô de frente do espelho
Mel de abelha é doce
Mas rã bonita tem veneno.

Pasto queimado venta
Tô baixando ali em baixo
Ali em cima ninguém aguenta
Tô sentado aqui do lado
Eu não quero mais quem me dera.

Traz um copo de coca.cola
Faz café seu folgado
Vai trabalhar vagabundo
Quem morre cedo tá descansado
Se o mundo inteiro gira
Tá explicado o pecado.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Caminhando



Se me perguntarem aonde fui, já não sei responder. Fui além, corri alguns metros. 
Cheguei até a porta de um rio imenso e depositei ali a minha alma. Fiz um pacto com Deus no meu coração de homem. Não menti, Ele veria.

Tenho fé para muitas coisas, só não tenho fé para entender essa questão maluca : onde, onde?

No Egito, entre os milhões de faraós, escravos, pirâmides inabitáveis? Ou entrei nos musgos andaluz da Espanha?

Ali, aqui, minha alma se espalhou. Sou parte daquele lago, vislumbrei o por do sol no Nilo, olhei as muralhas chinesas, escalei sonhos em forma de montanhas.

Perdi o rumo e cheguei aonde tinha que chegar. Só não me lembro onde. Porque o importante para minha alma foi percorrer o caminho. E o caminho é a Verdade. 

Aonde fui? Até Jesus Cristo!

O pequeno menino andaluz

O pequeno menino andaluz 

O pequeno menino andaluz tinha um sonho.

 Lá estava a montanha que ele sempre desejou escalar. Ouvia histórias de que um dia, certo rei mouro, ali colocou um tesouro, e que muitos desejavam encontrar, sem nenhum resultado. Mas ele seria o primeiro a encontrar o tesouro.

Com muito cuidado ele começou a subir a montanha, sempre imaginando as riquezas que lá encontraria, porque como nós todos sabemos, os mouros antigos depositavam muitos diamantes, ouro, jóias em baús antigos, e que essa fortuna inestimável era a fonte da riqueza de seus impérios.

Com esse pensamento o pequeno menino andaluz subiu a montanha com seu cajado, que herdará de seu pai, um homem simples que nunca sonhou com tesouros, e vivia sua vida no amor de sua família.

Quando ele chegou no topo, se deparou com uma rosa vermelha. Uma única rosa, solitária, que olhou para ele. E ele olhou para ela.

- Bom dia senhora rosa. Escalei essa montanha em busca do tesouro de um antigo rei mouro. Gostaria de saber se voce sabe onde esse tesouro está.

A rosa olhou no fundo dos olhos azulados do menino, e reconheceu que sua alma tinha a virtude dos sonhos, e a fé dos guerreiros da reconquista. E então lhe disse:

- O tesouro, pequeno menino, não é aquele que perece. Não é prata, nem ouro. O tesouro é aquilo que seus olhos alcançam. O verdadeiro tesouro é a fonte de Deus.

- E onde está essa fonte?

- Onde está o seu coração, aí estará a fonte de Deus.

Então o pequeno menino andaluz olhou os quatro cantos da terra, vendo a natureza. E entendeu que o Amor que sentia em seu coração era o verdadeiro tesouro. Ele não precisava nem de ouro, nem de prata. Pois estava vendo verdadeiramente a fonte viva feita por Deus.

Maktub

Maktub

O pordosol é belo para que pode refletir em seu espelho de Luz a graça viva e Santa de Deus. 

Maktub

Precisamos caminhar,mesmo que não exista mais caminho. 

Para chegar aonde queremos, seja no coração do Amor profundo ou nos nossos Sonhos mais malucos, devemos caminhar, correndo o risco que a estrada carrega: pedras, troncos, serpentes.

Peregrinos somos em terra alheia, devemos partir para chegar. Aonde o seu coração descansa aí está a resposta da sua vida.

Maktub

Se deixarmos os nossos sonhos nos guiarem, então, finalmente iremos encontrar a resposta que tanto aguardavamos ansiosos.

Maktub

Escrever é alcançar corações.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

De frente do mar

De frente do mar 

A morte não o assustava mais. Simplesmente passou a ser um assunto qualquer dentro de sua cabeça. 

Ele já era um homem velho, de largos anos vividos, idade que poderia ser chamado de avô, não fosse o problema de nunca ter tido filhos.
As putas em sua vida foram muitas, difícil definir uma que tenha lhe marcado mais. Vivia desde tenra idade entre o trabalho e o puteiro.

Não quis se casar. 

Não por causa de alguma culpa religiosa que trouxesse no peito. Mas sim pelo simples fato de ter tido uma decepção amorosa que marcou muito sua vida. 

Hoje com tantos anos vividos olhava o mar do portão da sua casa. Lembrou que na sua adolescência conturbada, entre socos, cerveja e sexo, tinha lido um ótimo livro chamado de "O velho e o mar".

Hoje, pensou, sou esse velho. Porém o mar não me acalma a alma. Ali está ele,  se movendo, como as coisas se movem. A vida se move. A vida é movimento. Eu já não tenho mais movimento. Não tenho mais vida. Porém ainda vivo.

Os olhos azuis se encheram de água ao ver uma linda mulher que passou em sua frente. Lembrou dela, aquela que tinha acertado uma pedra violentamente em seu coração.

Será que ela ainda se lembra de mim?  Do outro lado o oceano se agitava. Não tenho mais medo da morte, pensou.

Não, não tenho.

Dois mundos



Nós dois sabemos
Que há o mundo que
Nos rodeia com átomos
E esferas gigantes.
E existe o mundo que
Os olhos não vêem
Quando o coração não
Sente: o mundo das mãos
Invisíveis de asas de navalha
E dragões flamejantes.