se não há nada a dizer eu digo que te amoe escrevo seu nome com as estrelas luminosas do céu do sul.E se eu me quietar e sua mão segurarsaiba que um beijo está para chegarcomo um trem na neve deslizandoeu vou sempre te amando... e amando... e apitandoque estou chegando.
Se estou nas trevas
te chamo de luz,
e quando
surges
distantes
no seu lento caminhar,
meus
olhos te fitam
imensa
e inteira
grandiosa como és.
Grandiosa como o
amor
esse amor
meu e seu
que sentimos na pluma doce
da paixão
carregada pelo vento... vai nos levando
por entre as rochas
por entre as pedras
por entre as árvores
árvores lentas que dançam para nós
e eu danço pra ela e pra tí
eu amo tudo o que há em tí
e não me importo com nada
a não ser ouvir sua voz de pura e doce
Amada.
Se não és rainha
eu te torno uma.
És da mais bela
a mais única
a verdadeira
a inteira.
Como um cometa
eu sou teu
todo o seu
apenas seu.
E por
isso te fito
pois quando estou nas trevas
eu vejo sua luz.
E tudo se reluz: um beijo tudo a nós deduz
Ofereço meu poema
como algo aberto.
Aberto em duas abas: a direita e a esquerda.
Caminhe entre uma e outra
caminhe em alguma direção.
Ofereço meu poema aberto
o olhar dele é um sino e um martelo.
Os dois badalam e cortam o ar.
O sino soa pra alguém levantar
o martelo soa pra alguém afundar.
Afunda o martelo a cabeça achatada
acorda o sino a cabeça já levantada.
Ofereço meu poema
soando por soar. Soando como sino
soando como se cortasse o ar.
Ofereço o soar do poema
num ritmo que nem martelar
um ritmo afundando
um ritmo de martelar.
Ofereço meu poema
ofereço ele assim: bem colocado
como se fosse um peixe no anzol.
Não que meu poema fosse um raio de sol
nem que fosse um raio de chuva: meu poema é a própria chuva.
Ofereço meu poema
se ele estiver levantado
sei que alguém estará deitado.
Ofereço meu poema
não que ele tenha prestação. Se é uma emoção
usarei ela não como um fato
filtrarei o nato. Por que não o exato?
Ofereço meu poema
queira olha-lo de qualquer lado
mais ficarei bem mais alegre
se olha-lo de uma direção nobre
não para ver seu brilhar
mais sim para tentar escutar
o cantar do olhado. Do poema
visual e concretizado
que é finalizado
e finalmente
centralizado.
O amor vale tudo
o amor não é o deserto
nem a imensidão
ninguém entende o coração.
O amor é a própria razão
para a vida sentido ter
mais ninguém ira compreender
o amor é o que salva
o amor é a própria arma
mais não é tão cruel
quando se é fiel.
O amor vale tudo
o amor vale o que se planta
o amor é uma aliança
o amor é uma balança. Dois lados
quando estão bem alinhados.
O amor vale tudo e não se pode esquecer
que amor é tentar vencer e não perder.
E perguntaram com a boca cheia de sangue:
e o amor valeu a pena?
E responderão com a boca cheia de sangue:
O amor valeu a pena sim.
E assim terão mais uma chance de se contradizerem:
O amor valeu a pena?
E gritaram com a boca cheia de sangue:
Valeu a pena o amor sim.
E assim continuaram a seguir a vida
E assim continuaram a seguir o amor
Até a esperança se acabar o amor nunca se esgotará.
Nunca findará. Sempre existirá.
Quero acertar as contas
com a vida
depois.... depois de estar nas nuvens
depois de ver Deus cara-a-cara
depois de dar minha cara a tapa
a esses inúteis
que amaldiçoam meus poemas
que amaldiçoam minha vida
que nada fazem e me machucaram.
Não.... não é um grito
que não será ouvido.... as máquinas e o sol
é a esperança: achamos a criança. A criança dentro
que já não vive. A criança que revive.
Achemos então: somos a própria parede. Eu odeio minha Terra.
Sou brasileiro com você
(com que orgulho? Meça o meu vexame: grite e chame).
Sou poeta e nada mais. Quero que me enterrem depois.... depois
quando as horas se forem e quando o meu espírito se for também
não direi a ninguém que eu chorei
mais mesmo assim chorei.
Já não aguento.... não posso querer me movimentar
pois estou morto. Morto. Vivo ou morto?
Não sei te responder
não quero te responder
não necessito te responder
O trem de ferro do Manuel vem me buscar
(está atrasado como tudo aliás por aqui).
Lá vou eu embora pra Pásargada.... espero ter paz por lá
finalmente. Estou contente.
Eu devia ter feito o não feito
eu devia ter não feito o feito
eu devia ter feito o já feito
mais antes de ter feito o feito do não feito do feito
eu deveria ter refeito.
Mas se eu tivesse refeito o já refeito
eu teria feito o já feito do não feito. Que já estaria
bem feito. E não seria necessário
o refazer do refeito do feito já feito não feito do feito.
E tudo isso seria bem explicado se eu tivesse feito. o
não feito do feito do já feito do não explicado. E seria
refeito. E então explicado. Mais não seria
tão explicado. Então não estaria explicado.
Estaria mal colocado. E como bem percebi
eu devia ter feito o não feito do já feito do feito.
Mais agora que já foi refeito
não meçarei mais nada: essa é a fórmula exata. Nunca bem explicada... mais sempre bem estruturada.