quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

... chuva, verde chuva...


Chuva, verde chuva
que caí em gotas
verdes sobre a luz
da verde terra.
Chuva, que cai nos
telhados manchados
de verde, de verde
lodo, que percorre
a luz dos olhos verdes,
das verdes vestes, dos
verdes pinheiros, das flores
verdes. Ai, chuva verde,
que cai e goteja
na parede branca,
gota a gota ilumina
de verde o ar verde,
o céu verde, o verde
prado do aroma verde.
Chuva. verde chuva
que invade o verde
das raízes verdes,
molhando as palavras
verdes, soprando junto
do verde vento
verdejantes ventanias
verdes, que se vão
percorrendo as verdes
nuvens do verde amor
do meu verde coração!
(foto: ilustrativa)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Dia de solstício


_____________
(Um rio
corta os meus
versos ao infinito
Quantas estrelas
haverá na estrada
que me esqueceu?)

Eu vi


_
Eu vi os teus olhos
e quis os comparar
as estrelas azuis e
frias. Ai, e eu dizia
que isso é que era
poesia. Mentira
minha: você é mais
do que palavras em
forma de rimas. Eu
só não sei mais o
teu nome, infelizmente
eu o esqueci. Amanhã
prometo que brilharei
ao teu lado, azulado e
frio, refletido como estrela
nas margens de um
rio...

Um poema español


Sonhei sonhos e flores,
mares vermelhos
e azulados gravetos
percorriam a luz violeta
do luar domesticado.


Quem era eu
dentro da luz
da madrugada veloz?

Quem era eu
que amava a
escuridão dos teus
cabelos de constelação?


Sonhei sonhos e flores,
flores vermelhas, flores
cheias de raiva e de amores.
Por que sonhei eu com tantas
flores?

Despertei coberto
de orvalho e mel salgado.
E fui recordando as belezas
do teu corpo nu,

nudeza do amor 
unido em dois seres.


Despertei seco de luz,
molhado de ondas e de
pequenas lágrimas coloridas.

Eu era a tempestade violenta,

e tu, serena amiga minha,
estavas calma do outro lado
da casa


contemplando o jardim
da existência.

Em volta de mim...

Em volta de mim
tudo é eletricidade...
Ai, que pensamento vão
esse de querer explodir o coração.
Vendo o silêncio
das pessoas trancafiadas em
seus corpos.
Imagino e penso no falso
livre-arbítrio que tenho
e suspiro.
Era tão bom gostar do barulho...
Era tão bom ouvir a chuva no telhado...
Era tão bom andar com as amigas...
Hoje tudo é eletricidade,
tudo é menos do que um momento.
Adeus sensação,
adeus trabalho exaustivo.
Adeus amigos que amam o que nem sabem... Mais aqui está o fim e o começo.
Espero voltar a ver
o sorriso daqueles que se foram
Caso isso aconteça,
espero ainda existir
sóbrio.

Canto noturno das lágrimas


Choram lágrimas brancas
lágrimas claras que deságuam
em sonhos brancos,
em lençóis tão claro...
Não é um sol incendiado
que clareia a alma de
suspiros gélidos e claros:
é outra nuvem embranquecida
que vai se tornando clara
mesmo diante da própria claridade
de luares tão iluminados
de luz que jorra de fora,
até alcançar a memória
de tais lágrimas que choras...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vou por aí

Vou por aí, quero voltar a ser
aquilo que não sou, não quero sofrer.
Quero aprender que o meu lugar
não é morrer: eu quero viver, viver...

Vou por aí, solto e leve, ai meu
coração que não entende que sofrer
é coisa própria da gente...
Vou por aí, quero ser como o vento

entrar de repente em seus lábios
em seus abraços, não ser mais
presente nem passado, vou fugir
pra não mais voltar, não quero ser aflito

esse ar que eu respiro é o ar que vivo
não vou morrer jamais, quero ser o que
não posso ser, e sinto que existo...

Vou por aí, já estou indo... estou indo..