terça-feira, 27 de março de 2018

Nua


Cores



O amor foi por ali,
e, obrigado por
decifrá-lo, rosa de
brilho castanho.

O amor, essa fonte
de água que canta
canções de vento
e baladas alvas.

Por onde foi?
Na direção do vinagre,
no moinho da tarde,
com o leito das sombras.

Mas é um sonho,
aquela casa de água.
E o amor beija a
esperança rubra.

Balada da manhã em Itanhaém



Ruge a manhã, e tem sete
gritos contidos de romã.
Ruge a manhã, enquanto
o vento combate com
flores mortas e o jardim
tinge o outono de folhas
amarelas e frias de espelhos.

Ruge a manhã, e outrora
foram oito mariposas
pousadas nos olhos.
E descansaram como estrelas,
enquanto o sol, amarelo ovo,
cozinhava o verde com o azul.

Ruge a manhã, e tudo é calmo,
claro e sereno como as
vozes das meigas sereias negras
que de longe, do mar,
me acenam.

2018

Orgulho de escrever



É a voz amarga do sol,
do outro lado do espelho.
Uma luz embaçada de
sonhos e cristais verdes.

Silêncio.
Silêncio, porque componho
 o calor e o frio
na folha aberta de
palavras e tintas.
E faço o dia
não ser dia, e a noite,
chorando de amargura sem o sol,
iluminar lírios sem ventos.

Silêncio, porque a voz
amarga do sol nos queima.
E por isso estamos revivendo!