sexta-feira, 28 de julho de 2017

Cai a noite


Cai a noite cinzenta
bem no fundo do meu
coração sem cor.
As estrelas dançam
suas valsas de saudades,
profundas e misteriosas.
A noite que cai
não tem nome,
nem angústia.
A cor negra se
mistura ao cinzento
da tempestade
que sobe de
tanta dor e calor.
A noite cai:
lenta e incompleta,
bem fundo
no meu amor.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Galhos secos


Galhos secos no chão
e em cima do coração.
Um pequeno luar feito
de nada, de mistérios.
A vida se vai e se renova,
se quebra e chora.
Galhos secos no chão
e em cima do coração.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Vento

Vento no olival,
no olival da minha alma.
Vento no olival,
triste e amargo
em meus olhos albinos.
Vento no olival,
de lágrimas cinzentas
e espadas cinzas.

Chuva


Colheita do tempo e do vento,
do trigo sem mel, das rochas,
colheita das nuvens, das vozes,
pingos, gotas, odes, a chuva cai
com tremendo estampido em meu
coração sem massas, sem uvas,
enquanto o sol queima os meus
olhos com pequenos gafanhotos
e pequenos grilos sorridentes que
imóveis caminham pelo arco-íris.
Não é o fim do mundo nem o começo.
Deus espera no céu as lágrimas da chuva.
Eu contemplo os pequenos mamíferos.
Colheita triste de vento e tempo.

Coração cigano

Coração cigano
embalado em
lágrimas e rios,
sombrio e claro,
duvidoso e material.
Coração cigano
embalado em canções,
sonolento como a
nuvem da tarde,
agreste como o
tronco que restou
da árvore.
Coração cigano
de duvidas e limonadas,
de luas e pratas,
de imensos vales.
Coração cigano
interpretando mãos
silêncios barulhos
cachoeiras cabelos.
Nos olhos do coração
uma moeda dança
uma pequena valsa
e dois namorados se
casam em cima das
estrelas, mortos.
Coração cigano
cheio de adivinhas
submerso de terras
de mares de areias.
Quem não viu o
coração cigano
com asas e com tendas?

Comparação


As portas são cinzas,
são cinzas,
as portas.
Os rios são claros,
claros como o luar.
Seus olhos são negros,
são negros
seus olhos.
Os rios são claros,
claros como o luar.
O dia é amarelo,
amarelo
como a espiga.
A espiga do sol
queimou o luar.
As portas são cinzas,
são cinzas,
as portas.
Os rios são claros,
claros como o luar.

Percurso qualquer



Um rio largo percorre
o coração de asfalto
imóvel, de estrelas
embalsamadas do céu.

Pintadas de cobre,
algumas gaivotas enormes
dançam bêbadas de
tanto mar agreste de luz.

O por-do-sol 
sem auroras chorosas
canta lágrimas imóveis,
papeis e marfins.

O rio percorre sua
canção lenta e plumosa.
Sua fábula é repetir-se.

Seu fim é tornar-se salgado
de praias e de mares.