quinta-feira, 18 de maio de 2017

Jardim



Sim
é o amor e a terra
e o nada e o silencio
e o mar e a transparência.

Noturno amor,
coração ensolarado
cheio de estrelas.

Sim
é o amor e a terra
a rosa separada
é o alvo momento
é a canção e o poema.

E o amor será isso

E o  amor será isso
e será e arderá.

Entre mim e o teu sorriso
entre o mar e o teu amar!

Dá-me tua mão e sinta isso,
dá-me tua mão e sinta o mar.


E então o amor será isso
e será e arderá...

Do nosso amor (apenas)


I
Quando a noite chegar
e o frio chiar como chaleira
sei que você me amará
me amará e valerá a pena.

Pois sentirei o perfume 
de caju que dos seus lábios
escorrem até os meus.
Sei que você me amará
me amará me amará
e valerá a pena.


II
Pois o nosso amor é
frio e noturno em nossos braços.
Nosso amor é quente
nas coberturas do nosso quarto.

Me amará e te amarei
te amarei e te amarei
e valerá a pena te amar!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Amar



De noite te espero
amada
sorrindo como o 
mar para a luz
cansada da
lua prata.
Te espero, amada,
porque tuas mãos
são brasas e o 
meu coração
marinho
é feito de farinha
e água.
Por isso te quero
tanto aqui comigo,
nessas casas
cheias de pó,
nesse mar solitário,
nessa cidade cansativa.
De noite, amada minha,
e de dia, te quero
e te espero,
porque te amo
cheio de algas,
cheio de açúcar,
cheio de
espuma,
cheio de amor e de
poesia!

15/05/2.017

Minha pátria



Minha pátria, meu
coração, minha terra.
Minha terra quente,
minha terra fria.
Cheia de nuvens azuladas,
árvores tombadas e gente.
Minha pátria, minha amada pátria,
minha desgostosa pátria,
pátria cheia de dores e lágrimas.

Para onde durmo te levo,
pátria minha, porque
tenho sono, tenho fome,
tenho os pés descalços,
tenho maçãs nos poemas
e amores que se foram como mares frustrados.

Que culpa tens disso?
Minha pátria solitária,
sem dias, sem bondade, sem maldade.
Me movo por ti
mas nem sequer
sorrias para mim, para ela,
para mim e ela, para todos.

Minha pátria, meu
coração, minha terra:
para onde vais?
para onde me levas?

15/05/2.017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Assim me fere a lança



Assim me fere a lança
invisível do teu amor
e o brasão da paixão
ilumina minha mão
quando não queima
a minha imaginação
em versos e rimas.

Penso em te dar todos
os meus poemas para
que a noite fria não
venha te conquistar.
Porque o frio e o mar
são partes de mim e o
meu amor se acende por ti.


(Só por ti!)

domingo, 14 de maio de 2017

Ode aos meus papéis



Meus papéis
meu silenciosos
papéis,
arrumados,
desarrumados,
negros de caneta,
cheios do branco
o branco puro do açúcar.
Meus papéis
cheios de traças
e de solidão e de
pó, meus papéis
largados e rasgados,
molhados e recém
descobertos
como papiros
sagrados enterrados
no deserto.
São e não são
a minha alma,
tem e não tem
o meu ser.
 Como
um molusco
carregam minhas
secretas palavras
os meus desejos mais profundos,
as odes, os lamentos, as crônicas
dispersas de um viajante, de uma pátria
de um pequeno poeta amaldiçoado de poeta,
cheio de risos e prantos.

Meus papéis,
meus sonâmbulos papéis,
carregados de areia, de orvalho, 
de estrelas,
de cidades.
Meus papéis,
uns dizem que não valem nada,
para mim valem tudo.
Valem sombra,
valem mel, valem 
canções inteiras.
O sol e a lua estão aqui
assim como a morte,
assim como a foca,
o pelicano, o elefante,
a pequena cidade da Mongólia,
o Brasil imenso como uma mariposa,
todas as pátrias latino-americanas.
Tudo, tudo, 
ali estão
dentro da chave
dos meus papéis
do meu coração.

Por isso 
não estou ali
e por isso ali
estou para sempre.

Obrigado.