domingo, 4 de setembro de 2016

vaso com flor


Comentário sobre a poesia

                                                      

Não se sabe onde o amor

com o riso e com o sofrimento
pode brotar como brotam os
feijões da natureza no coração
da terra marrom.

Confundimos a terra com o

coração? Quantas coisas nós
confundimos, antes de percebermos
que a nossa confusão era na
verdade o reflexo da verdadeira
revelação?

Um coração terra, uma terra

feita apenas de corações.
Imagine a nudez áspera
de uma nuvem deitada
em teus olhos.

Agora, imagine por favor,

uma lágrima escorrendo
límpida e lisa por minha
face agreste. Imagine,
use a imaginação do
seu coração de terra
e chore comigo lágrimas
de revelações
sinceras.

Depositarei o meu coração

dentro do comentário sarcástico.
Depositarei a minha alma de gambá
em tua boca maravilhosa de erva.
Devorarei a linguagem sem paladar.
Estraçalharei ferros, dicionários e
pequenos pontos finais que
encerram o nosso louvor
com gloriosa luz.

Imagine agora o cotidiano.

E nele, um coração semelhante a
um broto de feijão, crescendo
puro e límpido como uma lágrima
no meio da terra marrom
do meu peito e do nosso
amor.

Resultado de imagem para orvalho
foto: ilustrativa

luar


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

da nudez de uma escritora

(A)
A beleza não esta no que
vemos. O que não vemos
é belo, mais irretratável.
E ver o teu corpo é não vê-lo.

(B)
Esforça-me ver em tua
nudez a aridez de um 
sevilhano desterrado.
Meio que não agrada.


(C)
Mais tudo isso é
o interior abafando o
próprio mover da alma.
Uma mariposa retratada.

mapa da memória



um retrato nu no meio
da noite sem estrelas.
uma carta onde o poema
não é outra coisa do que

um breve esboço de
uma lembrança retratada.
no esquema dentro da
linguagem a emoção

sempre suplantada
por outros, que não
verificam a dor que
carrega cada palavra.

pois a palavra é faca
que arde mesmo na
incompreensível pa-
lavra: alma!

para uma amiga



em tua silhueta de nuvem
pode surgir um poema dentro
de sua alma embaçada e
dúbia de mensagem de quem

vê-ao outro o mesmo re-
trato digno de ser mencionado.
pode ver em ti ou em tuas
mãos um sentimento lírico.

não é a lâmina do amor ou
outra baboseira, mais uma
árvore frutífera no meio
do jardim (não o do éden).

veremos refletido o mar
em tua silhueta de nuvem
como aquele grande dia
(ai, que dia, revelação noturna)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Uma solução




 A
     luz solar
sob o oceano.
              Marinha forma
ar, diáfano, se
         creto som do ser.
   Do outro lado
o poema/o poeta/
       o leitor/ o autor.
O resto é decifrar
      o que o coração
quis dissertar na
prova.