domingo, 27 de dezembro de 2015

mariposa vermelha


o instante me passa
como as
asas de uma mariposa
vermelha
que voa sem rumo
refletida no espelho
azulado da vida
e pousa sem querer
no oceano lilás
das emoções
passageiras:
adeus, mariposa
minha linda bandeira

que se vai como uma
gota se findando no
instante
que me passa
como as
asas de uma mariposa
vermelha


ouro


Ouro
mais ouro
dos teus olhos
Ouro
menos prata
Ouro
não dos teus
olhos 
Ouro
ou qualquer
rima que termine
com touro
Ouro
não outro
Ouro
quem sabe
pouco
Ouro
não dou
Ouro
quem
sou?


Eu amo. Eu amo e eu amo


______________________
Eu amo. Eu amo e eu amo. Só consigo viver
repetindo isso, como se eu fosse um pombo.
Eu amo. Eu amo e eu amo. Eu amo e amo e
amo e amo e amo. Sem luz ou lua, sem sol
ou noite. Ponto. Eu amo. Eu amo e eu amo.
Ai, dá pra cantar eternamente esse amor,
dá pra escrever duzentos versos sem fim,
dá pra parir inúmeros oceanos dentro do
verde luar que salta da tinta ao papel...
Isso só por que eu amo. Eu amo e eu amo.
Uns duvidam, outros sonham. Outros fingem
entender esse amor. Eu amo. Eu amo e eu amo.
Amo tanto que chega a enjoar as árvores
com o meu passar. O vento vai levando os
meus passos junto dos rios. Vou dizendo
como um eterno capiau marinho: eu amo.
Eu amo e eu amo. Ai, infinito. Ai, destino.
Eu amo. Eu amo e eu amo. Só consigo
viver amando e amando. Viver amando
como um capricórnio esquecido...
Por isso eu vou amando e amando.
Amando como sem destino, como sem
lugar, como sem furacão, como sem luar.
Eu amo. Eu amo e eu amo. Só consigo
viver rimando e cantando e andando e
sentando vou compondo os ossos do
meu canto. E eu vou amando e amando

enquanto o dia vai se encerrando, 
enquanto o dia vai surgindo, cavando
a aurora do amor em mim. Ai, eu amo.
Eu amo e eu amo. Só posso existir amando...

Amor


"Amei os olhos de sol que pousaram em meu quarto no silêncio da paixão..."
Amor, amor em brisa
que envolve, que passa.
Amor, breve amor defronte
aos astros noturnos, amor
marinho que se deleite
em sal, açúcar, vinho...
Amor, profundo amor
que se abre escuro, que
se encerra claro ao som
de um ruído místico...
Amor, amor que se sente
azul como a canela verde.
Amor que brota e nasce
e chora azulado e sorridente.
Amor contente, amor saudade,
amor que colhe o chão
que salta os ares; amor que
arremessa alegrias, amor que
é metáfora triste em forma
de vale.
Amor, profundo amor
em versos de amor
que colhem a dor
de te ter
de não te ter
meu santo amor!