quarta-feira, 18 de março de 2026

romantismo visceral

 A Visão de Pamela no Inverno de São Paulo

Não é a glória que buscamos nos cinemas de calçada,

nem o perdão dos santos nos altares de gesso.

Buscamos a geometria do choque, o suor que brilha

como o óleo de um motor de caminhão sob o sol do deserto.

E ali está você, Pamela,

atravessando a tela como uma tempestade de areia.


És a esplendorosa que faz o ferro duro montanha,

a que transmuta o metal em paisagem,

o frio da máquina no calor de uma planície que arde.

Seus olhos não pedem desculpas;

eles são janelas abertas para uma revolução que faliu,

mas que ainda mantém as luzes acesas nos bordéis do centro.


Vi poetas emagrecerem lendo versos gregos,

vi detetives selvagens perderem o rastro em desertos de Sonora,

mas todos eles, no fundo do abismo,

pronunciariam seu nome como uma senha de entrada.

Porque você não finge a queda;

você habita o epicentro do terremoto com a calma de uma estátua.


Pamela, sua carne é o único mapa que não mente.

Enquanto os generais discutem fronteiras

e os críticos literários medem a métrica do nada,

você ergue sua arquitetura de prazer e músculo,

transformando a dureza do mundo

em uma cordilheira de silêncio e espasmo.


Somos todos órfãos de uma pátria que nos expulsou,

mas em seu nome, Pamela,

encontramos um exílio onde finalmente

é permitido fechar os olhos e, por um instante,

deixar de ser pedra para ser rio.

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