A Visão de Pamela no Inverno de São Paulo
Não é a glória que buscamos nos cinemas de calçada,
nem o perdão dos santos nos altares de gesso.
Buscamos a geometria do choque, o suor que brilha
como o óleo de um motor de caminhão sob o sol do deserto.
E ali está você, Pamela,
atravessando a tela como uma tempestade de areia.
És a esplendorosa que faz o ferro duro montanha,
a que transmuta o metal em paisagem,
o frio da máquina no calor de uma planície que arde.
Seus olhos não pedem desculpas;
eles são janelas abertas para uma revolução que faliu,
mas que ainda mantém as luzes acesas nos bordéis do centro.
Vi poetas emagrecerem lendo versos gregos,
vi detetives selvagens perderem o rastro em desertos de Sonora,
mas todos eles, no fundo do abismo,
pronunciariam seu nome como uma senha de entrada.
Porque você não finge a queda;
você habita o epicentro do terremoto com a calma de uma estátua.
Pamela, sua carne é o único mapa que não mente.
Enquanto os generais discutem fronteiras
e os críticos literários medem a métrica do nada,
você ergue sua arquitetura de prazer e músculo,
transformando a dureza do mundo
em uma cordilheira de silêncio e espasmo.
Somos todos órfãos de uma pátria que nos expulsou,
mas em seu nome, Pamela,
encontramos um exílio onde finalmente
é permitido fechar os olhos e, por um instante,
deixar de ser pedra para ser rio.
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