O Despertar de Ludmila
Ludmila sempre foi diferente. Enquanto suas amigas
falavam de homens musculosos ou astros de Hollywood, ela sentia um calor
estranho ao passar pela estátua de Buda no jardim de meditação do bairro. Os
olhos semicerrados, os lábios serenos, aquela paz que emanava da figura de
pedra... algo nela despertava um desejo incontrolável.
Fechada em seu quarto, Ludmila experimentou de tudo —
vibradores, pornografia, até mesmo fantasias com desconhecidos. Nada
funcionava. Até que, numa noite de insônia, ela deixou os dedos deslizarem
enquanto imaginava aquela estátua: as mãos pousadas no colo, a expressão calma,
quase como se soubesse o que ela estava fazendo.
Foi rápido. Um tremor, depois uma onda de calor que a fez
arquear as costas. Pela primeira vez, ela chegou lá — e Buda estava em cada
espasmo.
Nos dias seguintes, Ludmila começou a frequentar o jardim
com frequência, sentando-se de pernas cruzadas diante da estátua, fingindo
meditar. Mas quando fechava os olhos, era só ele: os lábios dela se abrindo em
silêncio, os dedos pressionando sob a saia, tentando disfarçar o movimento
ritmado.
Até que, numa tarde quente, um monge mais jovem a
observou por muito tempo. E quando seus olhos se encontraram, ele sorriu — como
se *também* soubesse.
"Você busca iluminação?" ele perguntou, os
dedos dele traçando o contorno do próprio manto.
Ludmila não respondeu. Mas pela primeira vez, sentiu que
talvez não estivesse sozinha.
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