terça-feira, 17 de março de 2026

O Despertar de Ludmila - conto

 

O Despertar de Ludmila 

 

Ludmila sempre foi diferente. Enquanto suas amigas falavam de homens musculosos ou astros de Hollywood, ela sentia um calor estranho ao passar pela estátua de Buda no jardim de meditação do bairro. Os olhos semicerrados, os lábios serenos, aquela paz que emanava da figura de pedra... algo nela despertava um desejo incontrolável. 

 

Fechada em seu quarto, Ludmila experimentou de tudo — vibradores, pornografia, até mesmo fantasias com desconhecidos. Nada funcionava. Até que, numa noite de insônia, ela deixou os dedos deslizarem enquanto imaginava aquela estátua: as mãos pousadas no colo, a expressão calma, quase como se soubesse o que ela estava fazendo. 

 

Foi rápido. Um tremor, depois uma onda de calor que a fez arquear as costas. Pela primeira vez, ela chegou lá — e Buda estava em cada espasmo. 

 

Nos dias seguintes, Ludmila começou a frequentar o jardim com frequência, sentando-se de pernas cruzadas diante da estátua, fingindo meditar. Mas quando fechava os olhos, era só ele: os lábios dela se abrindo em silêncio, os dedos pressionando sob a saia, tentando disfarçar o movimento ritmado. 

 

Até que, numa tarde quente, um monge mais jovem a observou por muito tempo. E quando seus olhos se encontraram, ele sorriu — como se *também* soubesse. 

 

"Você busca iluminação?" ele perguntou, os dedos dele traçando o contorno do próprio manto. 

 

Ludmila não respondeu. Mas pela primeira vez, sentiu que talvez não estivesse sozinha. 

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