Eu vi os poetas de tweed, os críticos de hálito podre,
celebrando seus prêmios em hotéis de cinco estrelas,
enquanto a poesia, a verdadeira poesia,
aquela que sangra e não pede desculpas,
estava sendo violentada num beco atrás do Copan.
Eles falavam de tiragens, de reedições, de bestsellers,
com o mesmo sorriso com que um general conta os mortos.
Mas nós sabíamos, no fundo da nossa fome e do nosso asfalto,
nós, os detetives selvagens que perderam o rastro,
nós sabíamos a verdade que nenhum suplemento literário ousa publicar:
Sucesso não significa qualidade, hijo de puta!
A qualidade está na cicatriz, não no aplauso.
Está no verso datilografado com os dedos gelados,
num quarto onde o único público é a barata e a lua.
Está na capacidade de olhar para o abismo,
sem perguntar quanto vão pagar pela crônica da queda.
Que fiquem com os seus troféus e os seus coquetéis.
Nossa pátria é a escuridão, nosso prêmio é o silêncio,
e nossa única certeza é que a beleza,
a beleza visceral que nos quebra os ossos,
nunca subirá a um palco para agradecer a ninguém.
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