quarta-feira, 18 de março de 2026

O Manifesto do Vencido nas Calçadas da República


Eu vi os poetas de tweed, os críticos de hálito podre,

celebrando seus prêmios em hotéis de cinco estrelas,

enquanto a poesia, a verdadeira poesia,

aquela que sangra e não pede desculpas,

estava sendo violentada num beco atrás do Copan.


Eles falavam de tiragens, de reedições, de bestsellers,

com o mesmo sorriso com que um general conta os mortos.

Mas nós sabíamos, no fundo da nossa fome e do nosso asfalto,

nós, os detetives selvagens que perderam o rastro,

nós sabíamos a verdade que nenhum suplemento literário ousa publicar:

Sucesso não significa qualidade, hijo de puta!


A qualidade está na cicatriz, não no aplauso.

Está no verso datilografado com os dedos gelados,

num quarto onde o único público é a barata e a lua.

Está na capacidade de olhar para o abismo,

sem perguntar quanto vão pagar pela crônica da queda.


Que fiquem com os seus troféus e os seus coquetéis.

Nossa pátria é a escuridão, nosso prêmio é o silêncio,

e nossa única certeza é que a beleza,

a beleza visceral que nos quebra os ossos,

nunca subirá a um palco para agradecer a ninguém.

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