À Cidade das Andorinhas
Vês como o tempo, esse mudo tecelão,Fia em Campinas o ouro do porvir?
Não é apenas o chão, a gleba, o grão,
É o gênio humano que se faz sentir.
Se outrora o café, em rubro veludo,
Ergueu palacetes de nobre feição,
Hoje o saber, mais alto e mais agudo,
Traça os rumos da nova invenção.
Cidade que aos céus envia o seu brado,
Sem o lodo vil que o tédio costuma;
Onde o progresso, por nós abraçado,
Dissipa da dúvida a densa bruma.
E as andorinhas, em riso de asa,
Cruzam o ar com a pressa de quem vê
Que entre o labor e o calor da casa,
Vive a alma forte que o mundo crê.
Perdoa, leitor, se o verso é contido,
Pois a beleza que o olhar examina
Não cabe em rima de tom desmedido:
Basta dizer, enfim... que é Campinas.
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