quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Companheira distante


Me lembrei de ti
companheira,
deitada no
outono, repousada
na boca do inverno
e do frio das tempestades
do amor. E como amavas,
companheira.
Eras a única que carregava
no olhar
mares e estrelas
imensas. Companheira,
estas tão longe de mim,
estas tão perto dos meus braços.
Vou suspirar um pouco
companheira, para dar-te
versos e belos pinheiros.
Dá-me da água viva dos
teus lábios, companheira,
e saberemos juntos o significado
da beleza eterna do eterno
amor.

(foto: ilustrativa)

O amor e as sete navalhas douradas


Sonhei com o amor e
com sete navalhas douradas.
E não pude aprender com os
sábios o que aquilo significava.

Pus então nos meus vagos
momentos de decifração a ira
de não ter resposta. Em mim
oscilava o amor e tais navalhas.
Até que despertei e
pude contemplar sem engano
os olhos da moça, hija de ciganos.
E pude enfim sem dores
aprender mais das navalhas
e cantar a beleza de tais amores.

As metáforas de Deus


Os abismos, o mar, as

navalhas físicas do amor
e as canções distantes
de todas as vozes silenciosas


[da vida...
Todas as coisas pertencem
ao verbo imperecível e puro,
magnético e oceânico,
enigmático e transparente.
Significa o fim e a eternidade
não na ordem da desordem
nem fora da simbologia
mistica
[da vida...
Está lá, com as marcas
constelares que deixaram:
de mar, espadas, livros, marés e
[garras...

Elogio da memória perdida


Ó som da memória perdida,
como relâmpago escorres até ao chão.
Não há tristeza alguma na morte,
mais prefiro cantar e celebrar a vida.

Só de relembrar teu rosto 
a noite bela me envolve
no som dessa lembrança
que a memória carrega e depois dissolve.
Dirão outros que se perdeu
a chave, o bronze da
beleza oceânica do amor
que jamais se findou.
E o som da martelada foi
soando como os passos de uma corça
perdida na beleza dos campos da memória...

(foto: ilustrativa)

FÁBULA DE UM ESPELHO


Ninguém dará falta da noite sinistra
que envolveu as lágrimas perdidas
do espelho profundo do ser que
se encontrou no meio de uma sombra.
Quem eras no outono, se não apenas
as espadas, os sonhos, os delírios,
os mais perigosos felinos africanos?
Mas antes que o dia se findasse
as palavras buscaram em outro 
habitat um novo significado:
formou-se assim a eternidade.
Assim também o amor brotou 
e ninguém deu falta da noite sinistra
que envolveu as lágrimas perdidas
do espelho profundo que em silêncio
se rachou...

um diálogo sem misticismos


-Que dia é hoje?
-Hoje é o dia que não é o amanhã, e que também não será o ontem...

"O ESPELHO"


Marca física da ambiguidade
existencial do próprio ser.
Possibilidade matemática da
vida que se abre na luz

do reflexo sem segredos.
O que revelas, espelho,
se não apenas a vida
que se contempla?
Esse momento em que
o reflexo surge como uma moeda
de duas faces, atravessa o ser
tornando-o um só, múltiplo em
um só ser.
Revelado o abismo do corpo
que reflete a naturalidade do objecto
todas as circunstâncias possibilitadas
pela própria existência arde
de vida e sonho!