segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O teu nome

O teu nome
perdi na areia
dos meus versos.
Os teus lábios
eu provei na escuridão.

Eu amei o teu corpo tão perfeito
e aceitei a luz do teu sim,
e as trevas do teu não.

Fui compondo assim a melodia
dos teus beijos tão distantes.
Teus amores descrevi
para as estrelas e as flores.

Fui amando assim você toda desse jeito.
e o teu nome
o mar levou,
lavou n' areia
do momento.
PERGUNTA

Raiou o dia
e a trombeta tocou
(ou foi o
galo que cantou?).

Levantemos com a luz
e cantemos a redenção:
O Cordeiro de Deus vem! Amém.

Sentaremos com os doze apóstolos
e discutiremos
a geografia do fim
do mundo.

Raiou o dia
e a trombeta tocou
(ou foi o
galo que cantou?).

O Mar Cinzento



Nas guelras submersas do infinito
na luz constante da espuma
sem rumo e bravia e cheia de rancores,
um só movimento do dia move os sinos
e os amores das alavancas oceânicas...

E então tudo percorre as praias desérticas e
imóveis do litoral chuvoso:
As asas dos pelicanos amorosos, os olhos humildes
e tristes dos pescadores analfabetos, as escamas
sem beleza dos peixes vagabundos.

Ali, apenas ali naquela imensidão cinzenta do mar,
um fio de versos escoam
em sonhos, percorrem brutalmente lembranças insignificantes,
apagando brutalmente sem rancor ou serenidade
o nome amado escrito de frente da areia.

Não há nisso nenhuma despedida ou nenhum sinal de chegada.
Diante de tal espetáculo, tudo pode ir se submergindo do sal
como um submarino, como uma baleia solitária.
E assim, o espetáculo se encerraria na gota de uma nuvem cinzenta,
que se camuflaria junto do mar cinzento
dentro da tempestade oceânica e intranquila.

Não há grito tão profundo

Amor, não há grito
tão profundo
quanto o silêncio
da tua voz...

Os teus olhos
se escondem no 
meio do arco-íris,
e eu, aos vê-los,

busco descreve-los
aos bosques
que se erguem
entre as casas de
madeira e o céu
azul do espelho
celeste.

Amor, não posso
deixar de ouvir
tua voz, voz pura,
voz de borboleta.

Amor, só quando
escuto tua voz, posso
ver a verdade do amor

profundo, sem enigmas!
A anti-musa

Não há crepúsculos nem silêncio,
pois o teu rosto sei que perdi de vista na clara de setembro.
E nas palavras puras de um puro momento,
lembrei-me de canções tão amorosas quanto o teu silêncio amoroso...

A tua face é um soneto bem-escrito,
mais talvez pela falta do teu amor
as palavras tenham falta de açúcar e mel dourado.
Mas a canção vai soando até as chaminés esfumaçadas,
invadindo os prédios envelhecidos e as casas das cidades
esquecidas.

És a primeira e a última, és a musa do outono, a anti-musa!
És aquela que não pode ser nomeada diante das águas do mar bravio.
O teu nome eu lançarei dentro da minha canção, 
e sem espuma lembrarão de ti
em um ideograma, em um haikai amoroso,
e tu será para sempre

apenas uma
constelação desiluminada de tanto amor.

reflexão


______
Não vejo no silêncio dos teus olhos
a marca de um amor
que não possuo.... 
E Não me desculpo
por te querer, estrela azulada.
Como alcança-la: esta tão alta..

SILÊNCIO

__________
Silêncio:
a poesia se
anuncia.
A poesia?
O que é isso?
Já é dia...
Poesia, pois é, não-poesia.
Já dizia: que isso de poesia?
vai anotando as palavras
que não se encaixam no
azul, no vermelho, no oceano,
no espelho.
Silêncio, o poema
vai se fazendo, se refazendo...
E daí, se não estão o vendo?
O poeta está morrendo?
Alguém já está nascendo...
Não se preocupe.
Silêncio. Não. Não silêncio.
A poesia está se fazendo.
Ninguém está vendo?