segunda-feira, 16 de dezembro de 2019
Descrito
E o que vocês tem contra a minha barba judaica?
Digam, digam as pedras que nada falam,
Digam ao mar, que esbraveja espuma,
Digam aos ladrões daquela fazenda,
Digam, digam, e não digam, estou exortando com cansaço minhas aflições.
Esse mundo é uma miséria inconstante,
Esse sofrimento é um barril inútil.
Gosto da opolencia, detesto viver na
Opulência.
Oh mercantil sonhos da felicidade
Não tratam para mim as roupas
Cheias de cinzas que eu não sei
Estender?
Poema do Místico e seus Materiais Luminosos
Materiais Luminosos
Quando a chuva cai fora, gotas em gotas,
Deixando o ar esfriado,
Uma xícara de café sorvida
Ao vento nos deixa arrepiados.
O místico sentado em sua
Casa de areia, observa o deserto.
Seus Materiais Luminosos
São como vaga lumes pelo espaço
Em forma de estrelas.
sinais e símbolos
sinais e símbolos
Para Bel, com muito amor
Assim como as ninfas do bosque
Choraram por narciso atrás das árvores,
O rio também chorou e derramou
Suas lágrimas de água porque não
Podia mais se refletir nos olhos do
Amado morto.
Eu vi através do espelho aberto
Cenas que encantaram homens e mulheres:
Andando com as mãos cansadas
Vim vestido com trajes tão vis e ásperos
Apenas para suplantar a noite, com
A minha intenção lucrativa
De amar a serenidade.
Aos olhos dos mouros eu
Me transformei no vento e na areia.
A chuva me ensinou a quietude do
Amor profundo.
Foi por mim e por você que se
Dobrou o sino do amor Divino.
Para Bel, com muito amor
Assim como as ninfas do bosque
Choraram por narciso atrás das árvores,
O rio também chorou e derramou
Suas lágrimas de água porque não
Podia mais se refletir nos olhos do
Amado morto.
Eu vi através do espelho aberto
Cenas que encantaram homens e mulheres:
Andando com as mãos cansadas
Vim vestido com trajes tão vis e ásperos
Apenas para suplantar a noite, com
A minha intenção lucrativa
De amar a serenidade.
Aos olhos dos mouros eu
Me transformei no vento e na areia.
A chuva me ensinou a quietude do
Amor profundo.
Foi por mim e por você que se
Dobrou o sino do amor Divino.
Manuscritos
perdi muitos manuscritos pelas janelas pálidas. E esse foi o meu sinal:
livros e papéis molhados, e poucas lágrimas.
Campinas, 2019
Os sonhos de Harry
Quando Harry acordou de um sonho que estava tendo a noite ele percebeu que não havia sido transformado em um inseto gigante.
Ele ia completar trinta e cinco anos que iniciara seu curso intensivo de alquimia pela escola de bruxaria onde havia estado quando seu pai lá ministrava o curso de educação básica para bruxos mirins.
Harry sempre teve muitos sonhos proféticos. Sonhos que para ele eram considerados como uma espécie de maldição.
Sempre que despertava de algum sonho esquisito, ele ia até o espelho lavava o rosto, percebia que estava de novo na realidade. E então, sentava na frente da máquina de escrever de seu avô e começava a compor contos sobre esses sonhos fantásticos que tinha.
"Não é fácil sonhar com as coisas que sonho", pensou Harry. "Qualquer um que estivesse no meu lugar já teria ficado louco. Ainda bem que sou um bruxo experiente nessa área".
Quando terminava de transcrever seu conto na máquina de escrever, ele mostrava para Lya, sua companheira. Eles tinham se casado muito jovem. Lya tinha 17 anos quando subiu ao altar com Harry. Ele tinha acabado de completar 22.
_ O que você acha desses sonhos, amor? - perguntou Harry, depois de entregar um texto para Lya ler. - Ando sonhando muito. Será que são proféticos.
- Pode ser que sim amor. - disse Lya. - São sonhos que precisam de interpretação. E esse tipo de sonhos geralmente são proféticos.
- O que você acha que devo fazer? - perguntou Harry, um pouco duvidoso da realidade.
- Posso te dizer para fazer uma coisa, Harry - disse Lya. - E só você pode decidir se vai fazer ou não.
- O que amor? - disse Harry intrigado.
- Tente acordar - disse Lya.
E Harry percebeu que estava em um sonho dentro de um sonho e nesse labirintos de sonhos ele finalmente despertou.
Lya não estava ao seu lado na cama. Pelo menos ele não era um insecto gigante.
domingo, 15 de dezembro de 2019
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