sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Queria

Queria 

Queria eu amanhecer em teus olhos
como uma lágrima
em forma de chuvisco,

como uma nuvem de
tempestade cinzenta 
e enfurecida,

como uma manhã
nova e fria.

Sim, eu 
queria amanhecer
dentro de seus
 cabelos, olhos, bocas...

Queria tanto amanhecer em
teus lábios
vermelhos e
ser semelhante
a um sol para queimar, contente,
todo o roçado e plantas,
ardendo a terra com os
meus dentes...

Eu queria amanhecer furioso
como uma estrela polar solitária.
Só você me enxugaria, pois eu
seria apenas

tua lágrima
amanhecida
na pluma do dia.

Cantar noturno

Cantar noturno            
   *
Suco de lima e limão,
é meu o teu coração?
Que guardas em tuas
lindas e escuras mãos?

Suco de lima e limão,
é meu o teu coração?
Mariposa no jardim
porque choras assim?

Suco de lima e limão,
é meu o teu coração?
Quem viu o mar chorando
quando eu estava te amando?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Colinas

Colinas
***
-Colinas, nos teus
olhos azuis deságua
o verde da tempestade
e o múrmuro do vento.
São colinas? Que
rimas posso dizê-las
para descrevê-las?
Não queres vê-las?
Na luz azul da abóbada
celeste, inscrevo tua
raiz esverdeada de
metáforas azuis:
-Colinas, nos teus
olhos azuis deságua
o verde da tempestade
e o múrmuro do vento.

olhando


o sonho



Noite
Eu escuto sua voz...
Eu escuto sua voz...
O trote dos cavalos
soa ao longe do rio...

Dia
Profunda é a voz
do rio que cavalga...
Profunda é a voz
das palavras que
nada falam...

Noite
Distantes são a estrelas,
distantes são mais falam
ao coração...

Dia
Eu escuto sua voz...
Eu escuto sua voz...
O veloz cavalgar do
sonho a se sonhar...

Escrevo para que me ames

Escrevo para que me ames

Escrevo sem saber
para quem ou para que
lua ou sol ou estrela ou
sonho ou delírio juvenil.

Escrevo para que me ames
ainda que não me ames mais...

A minha fidelidade quebrou
o espelho dos meus sussurros.
Por isso não vi os teus olhos
me olhando por cima do muro.

Escrevo para que me ames
ainda que não me ames mais...

Queria deixar o teu nome pálido
de serpente ou de foca em minhas
linhas denegridas de fel e mel.
Seu nome é o nome que não posso nomear;

Escrevo para que me ames
ainda que não me ames mais...

Sua silhueta de carpinteira sua
poesia suave sua pose de amor
sua figura de pintura sua feminilidade
extrema me encantou os sentidos.

Não posso ir sem te ver uma última
vez nesse mundo tão cretino.
Não posso partir sem ver os teus 
lábios carnudos de foice aguda.

Escrevo para que me ames
ainda que não me ames mais...