segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

menina olhando


rosto chorando


desejos secretos


caos


Um cão andaluz

Um cão andaluz

Um coração sente
tudo o que pode sentir.
Depois descontente
passa tudo o que sentiu...

O cão vaga pela noite
silencioso e sem miragens.
O cão uiva para a lua
de saudades de ser selvagem.

Eu tornei-me homem (não
cão) eu tornei-me nada
(ou não).

Não há restos de luz
não há restos de pessoas
não há restos de sentimentos.

Hoje é um cão andaluz
que bate pela porta
em busca dos sentimentos

(ai, pobre dos sentimentos).
Mar de lágrimas

 Ó mar salgado, quanto do teu sal. São lágrimas de Portugal! 
Fernando Pessoa


-Ó, mar, ó mundo, ó céu, ó destino azulado,
onde posso me camuflar
sem carne e sem sangue?

-Onde posso depositar
meus ossos longe de
tal e tal centelha?

-Ó mar azul, ó mundo azulado, ó braços azuis,
ó mariposas azuladas, ó caminhos azuis,
ó sóis incandescentes de anil

onde posso me camuflar
sem mares a me atropelarem
o corpo de carne e de sangue? 


O amor

O amor

O amor é um ponto sangrado
a beira do mar eu choro sentado.
O amor é um ponto sangrado.

A lua não responde a nada
por isso ela ainda está parada.
O amor é um ponto sangrado.

Meu coração é um porto inseguro
suas mãos tremem os muros.
O amor é um ponto sangrado.