sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Enigma


Já não serei mais aquele
que cantava na estrada,
sonhando com os tigres e as taças.
Me perdi nas estrofes enigmáticas
da vida, e percorrendo fui
a frente de minha sombra.
Não descrevi para os galhos mortos
o meu nome de silabas tão con-
fusas: fui o presente d vento e
o ruído das águas na tarde.
Aquele que se perdeu se foi
para sempre na aurora confusa.
E amanhecendo nas páginas douradas
alguém me saudou: eis aquele
que cantava na estrada...

O caminho


Em uma folha se contém
todos os segredos do universo.
Para mim basta uma só
palavra recitada.
Quem celebrava na noite
escura os segredos perdidos
dentro do tempo veloz?
Uma folha apenas, me disseram,
contém todos os segredos do universo.
E na possibilidade da existência
meditei silencioso no ruído das cigarras.
Para mim basta uma só
palavra recitada. Por isso
sigo a minha estrada!

O sonho


Eu repeti o sonho
de uma eternidade; mas
vagava sem a rosa e
sem as espadas das batalhas.
E sem saber despertei
lúcido e trêmulo, guiado
pela luz e pela sombra da noite.
Gritei então o teu nome angelical
na aurora, e a resposta obtida
veio das águas escondidas.
E despertei, sorrido e chorando,
sem saber o motivo
celestial do símbolo imaginado
de tal enigmático sonho...

A carta


Façam de mim o que o
tempo não poderá fazer
jamais. Deixem-me apenas
sonhar com o dia e a noite.
Quando se recordarem de outro
sonho, poderei ser aquilo
que a chama da vida humana
não me permitiu. É claro que
é bom chorar de amor; melhor
que isto é viver intensamente
as metáforas colhidas no caminho:
só ali serei aquilo que sempre soube!

Noite sem estrelas


Eis que eu vo-lo tenho predito.
Mateus 24, versículo 25

O céu dos meus sonhos
eram mais claros que
a cinzenta moeda do
reflexo dos tigres.
O amor era aquilo
que eu sabia que era
enquanto poeta. Nessa
obscura claridade cinzenta
um sonho é menos do que tudo.
E o que resta na noite
são as palavras, as espadas,
os vendavais distantes e a
distante amada...

dois poemas

INSTANTES

Quero lembrar do teu rosto. E 
talvez ser feliz por alguns instantes. 
Não nego que os teus olhos
tem o brilho das safiras azuladas.
Um dia quando tudo era sonho
o teu rosto brilhava como fênix.
Quero lembrar do teu rosto. 
sorrir para o bosque verde enquanto o
vento calmoso passa... 



Um dia dentro de um dia

Ruas quietas, silenciosas estrelas,
moedas antigas, livros, palavras.
Tudo carregavas no olhar em uma
lágrima desperdiçada na sombra
da aurora. Disseram para mim:
-Quem és, compositor?  Só pude 
responder: Sou aquele que canta!
Canta os luares, as noites, as bravias
tempestades. Os dias que passam
chegam. E no momento em que
chegam a melodia expande seu
próprio canto. 

(foto: ilustrativa)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Companheira distante


Me lembrei de ti
companheira,
deitada no
outono, repousada
na boca do inverno
e do frio das tempestades
do amor. E como amavas,
companheira.
Eras a única que carregava
no olhar
mares e estrelas
imensas. Companheira,
estas tão longe de mim,
estas tão perto dos meus braços.
Vou suspirar um pouco
companheira, para dar-te
versos e belos pinheiros.
Dá-me da água viva dos
teus lábios, companheira,
e saberemos juntos o significado
da beleza eterna do eterno
amor.

(foto: ilustrativa)