quarta-feira, 1 de agosto de 2012

terça-feira, 31 de julho de 2012

suas mãos tocam meus pés


suas mãos tocam meus pés
os teus olhos calou estrelas
cheia lua que brilhou
e chamou: alguém me gritou?

Lá de dentro o brilho prata
do peixe, o feixe, o leite no copo
a música do João, o Gilberto de casaco
e lá fora a nuvem beijava a gaivota com amor.
E a pomba voou
ela tava presa
ela tava na corda bamba da aranha
viu meu amor?
Eu não perguntei e chorei irei e cantarei.

seus olhos vêem o que querem
mais não eres nem deusa e nem perfeita
és linda és linda és linda mesmo sendo assim
e não vêns pra mim
e alguém me gritou
sim,
eu não escutei.

suas mãos tocam meus pés
eu faço um quadro, Klee Picasso Gauguin.
Nem tô ali pra aguentar e bebo passa
a estrada não tem fim!

a linha... a linha... o lindo... o lindo leão
o lindo camaleão, o lindo pavão
e a areia nos olhos
dela
e já era
todo o mundo
se fudeu
amor meu.

suas mãos em minhas mãos
meus pés no chão minha mente no espaço
a seu lado gay gay gay não sou
amor aprenda de uma vez
que quem entrar não vai saber
me compreender de uma vez
seis, seis, seis são dezesseis.

E lá fora chove pássaros e gaivotas nuas
bailam travestis, pessoas nuas
tudo no mundo está de fora de mim
Caetano é meu mano irmão
Eu tenho um coração poeta poeta só Moraes
Drummond da vida besta
manero sim manero sim
meu amor eu cheirei a flor.

Sem você
eu canto ieieie
com você
eu vivo pra valer.

Tá tudo normal
me dê o meu jornal
e me toque com suas mãos
grite e me chame!

cavalo manso

passa o boi com a boiada
cavalo de ferro vai trotar
abre-se a porteira com o berrante
a vida vai cantar: flores mortas
luzes no altar.
Não há nada
pra se olhar.
passa o boi com a boiada
galopa o cavalo o cavaleiro a indicar
pra onde ele deve trotar
iaiaia.
Vai galopar
cavalo manso
o boi também vai passar.

eu verei


eu
verei
fogos
piscando
com os gritos
de alegria.
eu escutarei
o galo
no
amanhecer.
Não será
tarde
e nem será
dia.
Descansará
sobre o monte.
O monte irá
saltar
feito sapo-boi.
O riso
entrará
e o amanhecer gritará: lá onde alguém está!
O centauro de bronze,
o fauno de aço:
minotauro azul
monotauro azul.
Um dia assim
alguém irá gritar:
toca o boi toca o mar
toca o sertão
toca lá
pra se chegar.
Mundo imundo
é esse
pra chorar.
Eu quero despertar
essa ansiedade de música
e de paixão.
Lá no fundo do rio
a pedra imóvel
vai chegar: do Amazonas vai se levantar
e vai despertar.
Assim
irei
assim
cantarei
passarei... O navio vai levar longe.
Quem sabe vai chegar!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sofrendizendo


Sofrendizendo
sorrivendo
soluabraçando
luamandotámos
olhezendo:
vento, vento, vento.


Explicação da construção do poema em si: a ultilização das palavras, com todo o tipo de brincadeira que é (brincadeira séria é claro), explico aqui a formação utilitária das palavras do poema acima:


sofrendizendo: a mistura do elemento sofrendo e dizendo.


sorrivendo: sorrindo e vendo embora a utilização aqui do ritmo rimado seja fraco e claramente fácil de percepção.


soluabraçando: a frase seria: "só a lua abraçando", embora o senido proposto no verso não fica correto.


luaamandotámos: aqui utilizei uma frase completa, misturada a palavra lua, a frase seria "amando estamos", embora utilizei o reduto inexistente em nossa língua da palavra "támos" ou também "estamos", sem o sentido támos não daria para utilizar a palavra lua, ou seja estamas amando a lua (esse "A" não existe no verso).


olhezendo: olhando e dizendo.

Poema para MARANHÃO SOBRINHO


Entre a erudição e a paixão, ali o meu coração se encontra.
Um ponto breve descreve uma nuvem que passa,
um raio e uma boca aparecem com brilho de passagem.
Zum... zum... zum... abelhinha faz o mel.
Mu... mu... mu.. muje a vaca no campo sobre a chuva.

Sobre a chuva a erudição do coração. Um beijo salta
feito rã, feito sapo: cri-cri os grilos cantam,
o latido do cão se mistura ao sol(da)ador
um buraco é uma tartaruga, uma tartaruga é uma ovelha.

Comerei o pão e tomarei o leite. Lá de dentro
escutarei o meu eu atordoado e o meu eu apaixonado.
Isso deve ser o trem que passa, passa, passa, passa.

E me resta te olhar da  janela: adeus amor.
Eu voltarei e irei te reencontrar. Agora durma por favor:
entre a erudição e a paixão  o meu coração se encontra.

domingo, 29 de julho de 2012

O OVO DA GALINHA


Ás vezes me faço dizer
o não dito do dito. Por
isso me prendo no ovo
que tem uma forma só,
não necessária a sua textura.

É em sua própria essência
o lado de dentro e o de fora:
o que cabe mais é dentro
embora é de fora que se vê
sua triste e meticulosa forma.

É um ovo: objeto natural.
Não se extrai do ovo
nenhum diamante, nenhum
fio de metal: é asceta e natural!

O ovo é o objeto,
da mais forma perfeita
que de dentro não se entende
e que de fora se sente na mão.

E quando o ovo é bem choco
é má construção, em má formação
de suas próprias asas: o ovo é o objeto

único e natural
em sua forma contida
viva e especial.