quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Soneto da Onda e do Adeus


Olha, é a onda que se foi, adeus...

Foi-se levando o sal da nossa história,

Deixando a espuma branca na memória

E esse silêncio imenso entre os meus eus.


Tão breve foi o beijo dos verões,

O mar batendo o pulso na areia nua;

Ficou no peito a treva que era a lua

E o eco triste de outras solidões.


Adeus à brisa mansa que soprava,

Ao tempo que em gavetas se guardava,

Ao rastro leve que o mar levou.


Tudo passou como maré vazante:

A chama viva, o instante, o tom constante...

Olha, é a onda que se foi. E o amor ficou.

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