Olha, é a onda que se foi, adeus...
Foi-se levando o sal da nossa história,
Deixando a espuma branca na memória
E esse silêncio imenso entre os meus eus.
Tão breve foi o beijo dos verões,
O mar batendo o pulso na areia nua;
Ficou no peito a treva que era a lua
E o eco triste de outras solidões.
Adeus à brisa mansa que soprava,
Ao tempo que em gavetas se guardava,
Ao rastro leve que o mar levou.
Tudo passou como maré vazante:
A chama viva, o instante, o tom constante...
Olha, é a onda que se foi. E o amor ficou.
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