quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ando perdido

 Ando perdido por este mar de gente

que passa sem ver o meu pranto.

Um mar de gente que corre,

que gesticula,

que consome os dias na pressa vã dos relógios.

E eu fico aqui,

olhando de longe,

feito uma das pessoas ocultas

que habitam os porões do mundo.

Essas pessoas ocultas que carregam mistérios antigos,

rostos que a multidão esmaga,

fantasmas leves que andam à sombra da claridade.


Sinto o medo de ser,

este medo de ser eu mesmo,

este pavor de ocupar espaço no tempo,

de ter nome,

de ter carne,

de ter um destino traçado nas mãos.


O medo de ser me paralisa o passo,

me prende ao silêncio dos quartos vazios,

enquanto o mundo lá fora continua a girar,

indiferente e cruel,

neste vasto,

neste infinito

e solitário mar de gente.

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