Ando perdido por este mar de gente
que passa sem ver o meu pranto.
Um mar de gente que corre,
que gesticula,
que consome os dias na pressa vã dos relógios.
E eu fico aqui,
olhando de longe,
feito uma das pessoas ocultas
que habitam os porões do mundo.
Essas pessoas ocultas que carregam mistérios antigos,
rostos que a multidão esmaga,
fantasmas leves que andam à sombra da claridade.
Sinto o medo de ser,
este medo de ser eu mesmo,
este pavor de ocupar espaço no tempo,
de ter nome,
de ter carne,
de ter um destino traçado nas mãos.
O medo de ser me paralisa o passo,
me prende ao silêncio dos quartos vazios,
enquanto o mundo lá fora continua a girar,
indiferente e cruel,
neste vasto,
neste infinito
e solitário mar de gente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário