quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O Urubu Sentimental


Uma nuvem de fúnebre desgraça

Me assombra a noite inteira, nalma fria,

Numa lúgubre e trágica agonia

Que o próprio tempo, impassível, passa!


Lá fora, a ave fétida da raça,

Um urubu, sobre a desgraça minha,

Cantando em notas de melancolia

O tétrico augúrio que na treva passa.


Medito, e a mente no horóscopo fatídica

Busca nos astros a expressão verídica

Desta matéria vil que o mal consome...


Oh, escuridão de tédio e de pavor!

Nesse urubu sentimental e dor,

Sou eu mesmo... a carniça e o próprio nome!

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